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Por votos da direita, Alcolumbre articula indulto a Bolsonaro

person Por Da Redação
schedule 28/10/2026 às 18:57
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O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), estaria pretedendo negociar um indulto humanitário ou uma anistia para o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) em troca do apoio da direita à sua reeleição para o comando da Casa em 2027. A informação foi divulgada pela Folha de S.Paulo, com base em relatos de aliados do senador.

A articulação também teria como objetivo reduzir a pressão pelo impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), especialmente Alexandre de Moraes, responsável pela relatoria do processo que condenou Bolsonaro sob a acusação de tentativa de golpe de Estado.

Segundo a publicação, Alcolumbre pretende esperar a repercussão da eleição presidencial antes de procurar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para propor um indulto humanitário ao ex-presidente. A medida depende de decisão do chefe do Executivo e não foi discutida na conversa que os dois tiveram na última segunda-feira (26), após a votação.

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Bolsonaro está preso desde agosto de 2025, em decorrência da condenação relacionada à tentativa de golpe de Estado. Aliados de Alcolumbre afirmam que a estratégia também deverá levar em conta os desdobramentos da saída do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) do Brasil.

Caso Lula não concorde com o indulto, Alcolumbre teria dito a parlamentares que trabalharia pela aprovação de uma anistia no Congresso Nacional. A proposta, entretanto, exigiria articulação com o governo para evitar um veto presidencial ou uma mobilização da base governista contra o texto.

Na atual legislatura, a oposição já pressionou pela votação de um perdão aos condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023. Alcolumbre, porém, apoiou uma alternativa mais limitada, que previa a redução das penas. A lei aprovada no fim do ano passado está suspensa desde maio por decisão de Moraes, à espera de análise do plenário do STF sobre sua constitucionalidade.

De acordo com um aliado do presidente do Senado ouvido pela Folha, um dos primeiros passos da negociação seria buscar o reconhecimento, pelo Supremo, da constitucionalidade das regras de dosimetria das penas aprovadas pelo Congresso. A expectativa seria reduzir a tensão entre os Poderes antes de avançar para uma proposta mais ampla.

Em troca do apoio à sua reeleição, Alcolumbre buscaria o compromisso de parlamentares de direita de interromper a pressão pelo impeachment de ministros do STF e concentrar os esforços em uma reforma estrutural do Judiciário.

A nova composição do Senado, que toma posse em fevereiro, terá uma bancada de direita fortalecida pelo discurso de oposição ao Supremo. Alguns levantamentos indicam que ao menos 49 dos 81 senadores eleitos defendem o impeachment de ministros, embora nem todos apoiem a medida sem ressalvas. Para aprovar o afastamento de um magistrado, são necessários 54 votos.

Alcolumbre disputa a presidência do Senado em 2027 com nomes da oposição, entre eles Rogério Marinho (PL-RN) e Tereza Cristina (PP-MS), que apostam na força da bancada conservadora para derrotá-lo. O Partido Liberal terá a maior representação partidária, com 29 senadores, além de três parlamentares do Novo na oposição.

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