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Irã declara Estreito de Ormuz aberto durante cessar-fogo no Líbano, mas EUA manterão bloqueio a portos iranianos

person Por Da Redação
schedule 17/04/2026 às 15:58
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Apenas um dia após o presidente Donald Trump anunciar que foi alcançado um cessar-fogo de 10 dias entre Israel e o Hezbollah no Líbano, o Irã anunciou que o Estreito de Ormuz estará “completamente aberto” ao tráfego comercial durante o período de trégua. A decisão, considerada um movimento importante para encerrar a guerra com os Estados Unidos e Israel, foi divulgada nesta sexta-feira pelo ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, nas redes sociais e confirmada pelo líder americano.

“Em consonância com o cessar-fogo no Líbano, a passagem para todos os navios comerciais pelo estreito está declarada completamente aberta pelo período restante da trégua” escreveu Araghchi, acrescentando que navios comerciais poderão atravessar a via estratégica por uma rota previamente coordenada pelas autoridades iranianas. A trégua entre Israel e Hezbollah, vista de maneira negativa em Israel, teria ocorrido após dias de pressão do governo iraniano.

Após o anúncio de Araghchi, Trump confirmou a medida na rede Truth Social e agradeceu a decisão, escrevendo em letras maiúsculas: “O Irã acaba de anunciar que o estreito está totalmente aberto e pronto para passagem completa. Obrigado!”. Na sequência, no entanto, o americano afirmou que o bloqueio naval imposto por Washington contra Teerã “permanecerá totalmente em vigor” até que a negociação entre ambos esteja “100% concluída” — o que, disse, não deve demorar:

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“O Estreito de Ormuz está completamente aberto e pronto para negócios e passagem total, mas o bloqueio naval permanecerá totalmente em vigor e em efeito no que diz respeito apenas ao Irã, até que nossa negociação com o Irã esteja 100% concluída. Esse processo deve avançar muito rapidamente, já que a maioria dos pontos já foi negociada”, afirmou ele, que, minutos depois, disse que “o Irã concordou em nunca mais fechar o estreito”, que “não será mais usado como arma contra o mundo”.

No Irã, porém, veículos de mídia apoiados pelo Estado levantaram preocupações. Diversas agências de notícias reagiram ao anúncio de Araghchi classificando a publicação como “falha e incompleta”, criando uma “ambiguidade desnecessária sobre a reabertura” do estreito. Ao mesmo tempo, o líder supremo iraniano, Mojtaba Khamenei, teria determinado que o canal estratégico “deve permanecer fechado”, segundo o veículo semi-oficial Mehr:

“O estreito foi um fator-chave e decisivo na guerra recente e, de acordo com declarações do líder supremo, deve permanecer fechado”, publicou. Horas depois, em declaração também à mídia estatal, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, afirmou que o Irã iria “tomar as medidas necessárias” se os Estados Unidos não suspenderem o bloqueio aos portos iranianos:

— Se o outro lado optar por romper seus compromissos, como parece que pretende fazer, e se o bloqueio naval continuar, a República Islâmica do Irã, em resposta, tomará as medidas necessárias, e não há dúvida sobre isso — disse, acrescentando que houve “posições contraditórias” por parte dos EUA, sem dar mais detalhes.

No domingo, depois de negociações no Paquistão terem terminado sem um acordo para encerrar a guerra, Trump afirmou que Washington iniciaria “imediatamente” um bloqueio ao estreito, por onde passam cerca de 20% do petróleo e gás mundial. Também nas redes sociais, o presidente anunciou que os EUA iriam interceptar todos os navios em águas internacionais que pagaram um “pedágio ilegal” ao Irã, em referência aos relatos de que Teerã estaria cobrando US$ 2 milhões (cerca de R$ 9,98 milhões) pela passagem segura.

Mesmo com o recente anúncio de Araghchi, a televisão estatal do Irã informou que navios ainda precisam de autorização da Marinha da Guarda Revolucionária — e que apenas embarcações comerciais podem cruzar a via. Após a decisão, o preço do petróleo caiu acentuadamente, com o custo do barril do Brent saindo de US$ 98 para menos de US$ 90. Antes do conflito, o Brent era negociado pouco abaixo de US$ 70 por barril. Ele chegou a atingir o pico de US$ 119 em março.

Sem solução rápida

 

Ainda assim, analistas avaliam que não há uma solução rápida para o retorno ao transporte normal pelo estreito. Embora a notícia seja bem-vinda, dizem, as grandes companhias de navegação têm ressaltado continuamente que a segurança de suas tripulações e embarcações é prioridade. É provável que elas queiram ver indícios de que a trégua será sustentada antes de se sentirem seguras para retornar à rota.

Algo semelhante ocorreu em 2023, quando navios evitaram a rota pelo Mar Vermelho e pelo Canal de Suez após ataques de rebeldes houthis. Foram necessários mais de dois anos para que um retorno limitado começasse, o que só ocorreu após meses sem ataques. No entanto, segundo Jonathan Josephs, analista da BBC, há duas diferenças no caso do estreito: não há rota alternativa, e o transporte de grandes quantidades de petróleo e gás é vital para a economia global, o que significa que há incentivos maiores para retomar a navegação.

Enquanto isso, na Europa, o presidente da França, Emmanuel Macron, e o primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, saudaram a esperada reabertura do estreito. Os líderes faziam uma cúpula em Paris destinada a abordar a crise nesta sexta-feira, com a participação presencial ou virtual de 49 países, quando o anúncio foi divulgado. Macron disse que a medida vai “na direção certa”, apesar dos planos dos EUA sobre um “bloqueio direcionado” contínuo, e que o trabalho será acelerado para uma missão neutra que “apoie e proteja” navios mercantes no Golfo.

— [Países independentes concordaram] com a necessidade de condições de livre passagem que existiam antes da guerra. [Alertamos contra] todas as restrições e qualquer regime convencional que, de fato, significa uma tentativa de privatizar o estreito. E, claro, nos opomos a qualquer sistema de pedágio — disse o francês em entrevista coletiva.

Starmer, por sua vez, saudou o anúncio desta sexta-feira, embora tenha destacado que é preciso “garantir que ele seja duradouro e uma proposta viável”. O líder britânico disse que uma missão conjunta “estreitamente pacífica e defensiva” tranquilizaria o transporte marítimo e apoiaria a remoção de minas instaladas pelo Irã, convidando “todas as nações com interesse no fluxo livre do comércio global” a participar. Segundo ele, “mais de uma dúzia” de países já se ofereceram para ajudar.

Nas redes, onde Trump publicou mais de dez vezes em duas horas, o presidente disse que a Otan, aliança militar do Ocidente, ofereceu ajudar os EUA em relação ao estreito: “Agora que a situação do Estreito de Ormuz acabou, recebi uma ligação da Otan perguntando se precisaríamos de ajuda. Eu disse a eles para ficarem longe, a menos que queiram apenas encher seus navios com petróleo. Eles foram inúteis quando necessário, um tigre de papel”, escreveu.

O presidente também afirmou na Truth Social que Israel estava “proibido” de atacar o Líbano. Minutos antes, porém, o premier israelense, Benjamin Netanyahu, havia publicado que o Estado judeu ainda não havia terminado sua ofensiva contra o Hezbollah. Em discurso em vídeo veiculado no canal oficial do governo no YouTube, o primeiro-ministro disse que Israel concordou com um cessar-fogo temporário a pedido de Trump, o que deu ao país a oportunidade de promover uma solução política e militar com o governo libanês.

Na quinta-feira, Trump afirmou que o Irã fez oncessões importantes em uma negociação em andamento para encerrar a guerra de sete semanas. Ele disse que pode não ser necessário renovar uma trégua com a República Islâmica firmada em 7 de abril antes que expire na próxima semana, contrariando expectativas de que uma prorrogação seria necessária para permitir mais tempo para a diplomacia. Alguns líderes de países árabes do Golfo Pérsico e da Europa, porém, esperam que leve cerca de seis meses para chegar a um acordo de paz.

Israel vem combatendo o Hezbollah no sul do Líbano desde pouco depois do início dos bombardeios americanos e israelenses ao Irã em 28 de fevereiro. O Exército israelense ocupou grandes partes do sul do Líbano como parte da campanha, que, segundo autoridades libanesas, matou mais de 2 mil pessoas e deslocou outras 1 milhão. Apesar dos anúncios recentes, o secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, disse na quinta-feira que as forças americanas estão prontas para retomar o combate “ao apertar de um botão”, enquanto o Irã advertiu que um bloqueio prolongado poderia violar o cessar-fogo.

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