Sobrevivente relata falhas em ônibus e a perda do pai, um dos sete maranhenses mortos na BR-153

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Um jovem que escapou com vida do grave acidente envolvendo um ônibus na BR-153, no interior de São Paulo, contou como foram os momentos antes da tragédia que matou oito trabalhadores rurais do Maranhão — entre eles, o próprio pai.

José Mailton . Foto Reprodução

O veículo transportava trabalhadores que haviam saído de Centro Novo do Maranhão com destino ao interior paulista. Segundo a Polícia Rodoviária Federal, o ônibus não tinha autorização para realizar transporte interestadual, possuindo licença apenas para circular dentro do Maranhão. A viagem também não constava no sistema de fretamento da Agência Nacional de Transportes Terrestres.

O sobrevivente, José Mailton, relatou que embarcou com o pai, José Milton Ribeiro Reis, ainda em Governador Nunes Freire e percebeu falhas no veículo durante o percurso.

“A gente pegou o ônibus lá e seguimos. Na metade do caminho, o ônibus furou o pneu traseiro e eles remendaram. Após isso, seguimos viagem”, relatou o jovem.

Ele contou que o problema voltou a acontecer em outras partes da viagem.

“Em São Paulo, o pneu furou só que ele não prestou mais. ‘Aí’ eles tiraram um dos pneus duplo traseiros e seguimos viagem. Na madrugada, o pneu que sobrou também furou e o veículo começou a tremer. Foi aí que o motorista perdeu o controle”.

O acidente ocorreu por volta de 1h30, em um trecho da rodovia entre Marília e Ocauçu. A dinâmica preliminar aponta que o estouro de um pneu fez o motorista perder o controle, fazendo o ônibus sair da pista antes de tombar.

Inicialmente, seis mortes foram confirmadas no local, mas duas vítimas resgatadas com vida morreram após atendimento hospitalar. Ao todo, 43 pessoas ficaram feridas e 45 foram socorridas com vida por equipes do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência, policiais, bombeiros e ambulâncias da concessionária.

Os feridos foram distribuídos entre unidades de saúde de Marília, incluindo hospitais e UPAs da cidade. A empresa responsável pelo ônibus foi identificada e será investigada, enquanto a perícia técnica trabalha para esclarecer as causas do acidente.

Em meio à dor, o jovem descreveu o momento em que percebeu que havia perdido o pai.

Naquele momento, eu nem acreditei. A cara dele estava toda ensanguentada. Chamei o nome dele, mas não respondia”.

O informante

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Da Redação

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