Professora concursada é transferida após assinar denúncia contra prefeito de Humberto de Campos; áudios revelam tentativas de aliados de reverter situação em troca de silêncio

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Humberto de Campos (MA) – Uma professora concursada da rede municipal de educação, identificada como Albertina, foi transferida de sua escola atual (Cedro) para outra unidade a cerca de 18 km de distância de sua residência, como a escola de São Lucas ou Santa Clara.

A possível remoção seria motivada por perseguição política, segundo relatos, após ela ter assinado uma denúncia coletiva protocolada pelo sindicato SINPROESSEMA (Sindicato dos Trabalhadores em Educação Básica das Redes Públicas Estadual e Municipal do Maranhão).

A denúncia questiona o uso irregular de recursos do FUNDEB, incluindo alegações de pagamentos indevidos e irregularidades na folha de pagamento da educação no município, sob a gestão do prefeito Luís Fernando Santos.

Áudios vazados, obtidos e compartilhados em grupos locais, revelam conversas entre aliados do prefeito e familiares da professora, incluindo Abraão Borralho (filho de João Borralho, figuras ligadas ao povoado São Lucas) e Ângela, irmã de Albertina.

Nas gravações, Ângela relata que contatos foram feitos para “reverter” a transferência da professora em troca de seu silêncio sobre as críticas e a denúncia.Em um dos áudios, Ângela descreve uma conversa em que alguém próximo à gestão teria dito que, embora Albertina seja concursada e “encostada” em proteções legais, o prefeito poderia transferi-la para localidades distantes , impactando sua rotina familiar (ela tem dois filhos e reside perto da escola Cedro).

A irmã menciona EM  contatos com Abraão, filho de João Borralho seriam feitos para intervir junto ao prefeito, evitando a ida para a escola São Lucas, mas condicionando a permanência a que a professora “fique na dela” e pare de incentivar críticas ou indiretas contra a administração.

Albertina, segundo relatos da própria irmã no áudio, reagiu indignada à abordagem, chamando-a de “saliente e imoral” por ter sido feita sem sua anuência. Ela teria reforçado que é responsável por suas atitudes e não aceita interferências.

Em outro trecho vazado, Abraão Borralho aparece afirmando: “Nós vamos fazer de tudo agora pra nós tirar essas meninas dessa escola […] Nós já achamos uma pessoa pra botar nesse lugar aí. Nós estamos fazendo de tudo, nós vamos tirar essa Esmeralda daí. E nós vamos fazer de tudo pra deixar tua irmã no Cedro, diz um trecho de um áudio.

Mas em troca ela tem que ficar na dela, entendeu?”O áudio sugere uma disputa interna: João Borralho e o filho Abraão estariam pressionando pela remoção da diretora Esmeralda (indicada por “Irmão Neto”, do Cedro), acusando-a de ultrapassar autoridade e nomear funcionários indevidamente.

O contexto se insere em uma onda de denúncias contra a gestão de Luís Fernando Santos, incluindo supostos funcionários fantasmas na educação, desvios de FUNDEB e irregularidades na folha de pagamento – temas reforçados recentemente pelo SINPROESSEMA, que protocolou representações no Ministério Público e planeja levar o caso ao Tribunal de Contas do Estado (TCE-MA).

A prefeitura tem negado as acusações gerais, classificando-as como “fake news” em pronunciamentos oficiais, e o prefeito ameaçou judicializar críticos.

Os áudios indicam movimentações políticas locais para influenciar decisões administrativas na educação municipal.

A situação expõe tensões entre concursados, indicados políticos e a base da administração em um município marcado por disputas em comunidades como Cedro e São Lucas.

 

 

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Da Redação

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