Ministério Público pede afastamento de vice-governador do Maranhão
O Ministério Público do Maranhão pediu o afastamento cautelar do vice-governador Felipe Camarão (PT), no âmbito de investigação que apura movimentações financeiras consideradas incompatíveis com a renda declarada e o uso de terceiros para circulação de recursos. O pedido também atinge os policiais militares Thiago Brasil Arruda e Alexandre Guimarães Nascimento.
Segundo o procurador-geral de Justiça, Danilo José de Castro Ferreira, a medida busca evitar interferências na investigação, diante do risco de acesso a provas e influência sobre testemunhas. O documento afirma que a permanência no cargo pode comprometer diligências em curso.
“A permanência dos agentes em suas respectivas funções públicas representa um risco atual, grave e iminente à instrução processual”, escreveu o procurador no pedido enviado ao Tribunal de Justiça do Maranhão.
A investigação teve origem em relatórios do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) e aponta a existência de um núcleo que teria operado a movimentação de valores por meio de terceiros, incluindo integrantes da segurança do governo. O material descreve repasses, depósitos em espécie e transferências com grande número de beneficiários.
Dados reunidos pelo Ministério Público indicam que Felipe Camarão recebeu R$ 1,72 milhão em créditos salariais no período analisado, além de R$ 4,64 milhões em créditos de outras origens. Também foram registrados 230 depósitos sem identificação de origem e R$ 360 mil em valores fracionados.
“O fluxo financeiro expressivo, com ingressos que extrapolam a renda formalmente identificada, projeta dúvida quanto à origem dos valores”, afirma o documento
O relatório também aponta que a conta principal do vice-governador concentrou mais de R$ 6,3 milhões em saídas, incluindo pagamentos de cartão, despesas imobiliárias e transferências a terceiros. Foram identificados ainda 1.085 destinatários de transferências via PIX.
Repasses de PMs ao vice-governador
No núcleo apontado pela investigação, o tenente-coronel Thiago Brasil Arruda teria movimentado R$ 9,6 milhões entre 2023 e 2024, apesar de renda mensal de cerca de R$ 20 mil. Segundo o Ministério Público, ele realizou repasses diretos a Camarão e pagamentos de despesas pessoais, incluindo hospedagem e tributos.
Já o policial militar Alexandre Guimarães Nascimento movimentou mais de R$ 10 milhões em contas bancárias, com créditos que, segundo o relatório, não encontram correspondência na renda declarada. Ele também aparece como responsável por transferências ao vice-governador e por depósitos em espécie em sua conta.
A investigação cita ainda transferências para familiares e pessoas próximas, que somaram cerca de R$ 296 mil, além de pagamentos feitos por terceiros em benefício do vice-governador.
O Ministério Público sustenta que os elementos reunidos indicam a atuação de uma estrutura com divisão de valores e repasses a diferentes destinatários. O pedido de afastamento foi encaminhado ao Tribunal de Justiça do Maranhão e aguarda decisão.
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