Um caso grave de violência sexual envolvendo uma menor de 11 anos tem gerado comoção e questionamentos em Barreirinhas, município do estado do Maranhão. Segundo relatos da família, a criança foi vítima de abuso por parte do avô, identificado como Raimundo Sapucaia, durante uma visita costumeira à casa dos avós no povoado Morro Alto. As alegações incluem toques indevidos e violação sexual, com a confirmação do ato através de exame de corpo de delito que atestou a ruptura da virgindade da vítima.
Diante da gravidade dos fatos, a mãe da menor procurou a Delegacia da Mulher para registrar a ocorrência e solicitar a prisão do acusado. No entanto, conforme relato familiar, teria sido informada de que a medida não seria imediatamente realizada devido à existência de outros casos em andamento na unidade policial. A orientação recebida, segundo a família, foi para aguardar o andamento processual. A situação levou a mãe a buscar também o Conselho Tutelar, que se limitou a afirmar que acompanharia o caso.
A demora ou aparente inação nas medidas efetivas contra o acusado tem causado angústia à família e informações dão conta de que o suposto agressor encontra-se foragido, enquanto o caso, segundo a família, tornou-se amplamente conhecido no povoado, expondo a vítima e seus familiares a um ambiente de constrangimento e insegurança.
Questionada sobre os motivos de não ter realizado diligências para localizar e conduzir o acusado, a Delegacia da Mulher de Barreirinhas não forneceu esclarecimentos específicos. A assessoria da unidade limitou-se a citar uma diretriz da Associação dos Delegados de Polícia do Maranhão (ADEPOL-MA) que desaconselha comentários à imprensa sobre investigações em andamento. A postura, embora possa se basear em protocolos de preservação do inquérito, acaba por alimentar um sentimento de desamparo nos envolvidos e na opinião pública.
O caso ilustra desafios recorrentes no enfrentamento à violência sexual contra crianças e adolescentes, especialmente em localidades do interior. A lentidão ou as dificuldades operacionais do sistema podem, na percepção das vítimas e da sociedade, equivaler a uma falha na proteção devida. A existência de um exame pericial que comprova a violência física torna os questionamentos sobre a celeridade da ação policial ainda mais pertinentes.
É importante ressaltar que, em tese, a confirmação pericial de um crime dessa natureza deveria precipitar medidas urgentes, tanto para a responsabilização do agressor quanto para a proteção integral da vítima. A sensação de impunidade, agravada pela fuga do acusado, pode ter efeitos devastadores no processo de recuperação da criança e desgastar a confiança nas instituições.
Enquanto as autoridades policiais mantêm sigilo sobre as etapas da investigação, conforme alegam ser a prática recomendada, a família e a comunidade aguardam por desfechos concretos. O caso permanece como um triste exemplo que demanda reflexão sobre a eficácia dos fluxos de atendimento, a necessidade de recursos adequados para as delegacias especializadas e a imperiosa prioridade que deve ser conferida

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