O médico neurocirurgião e empresário Eustáquio Diego Fabiano Campos, apontado pelo Ministério Público do Maranhão como braço financeiro de um esquema que desviou mais de R$ 56 milhões da Prefeitura de Turilândia, foi homenageado com o título de “Cidadão Maranhense”, a pedido do deputado Aluísio Santos, marido da prefeita de Chapadinha, Belezinha. A honraria foi concedida em sessão solene da Assembleia Legislativa do Maranhão realizada em novembro do ano passado, enquanto empresas ligadas ao médico acumulam mais de R$ 32 milhões em contratos com a Prefeitura de Chapadinha.
Natural de Belo Horizonte, Eustáquio mudou-se ainda criança para o Maranhão e construiu carreira acadêmica e empresarial no estado. Ao receber a homenagem, discursou em tom de agradecimento e compromisso com o Maranhão, num evento que reuniu parlamentares e foi apresentado como reconhecimento por “trajetórias marcadas por compromisso e competência”. O contraste entre o discurso e a realidade investigada chamou atenção.
Apontado como operador financeiro de uma organização criminosa em Turilândia, Eustáquio foi preso durante operação que também levou à detenção do prefeito, da vice-prefeita e de vereadores do município. Segundo o Ministério Público, cabia a ele movimentar recursos públicos desviados por meio de empresas e contratos usados para dar aparência de legalidade ao dinheiro ilícito.
Mesmo figurando entre os principais alvos da investigação, o médico é sócio da Med Service LTDA, empresa contratada pela Prefeitura de Chapadinha desde 2022. Dados públicos mostram que, desde o início dos contratos, a empresa já recebeu R$ 32.504.012,12 dos cofres municipais. Os repasses cresceram rapidamente: cerca de R$ 3,5 milhões em 2022; R$ 11,8 milhões em 2023; R$ 9,5 milhões em 2024; e, apenas em 2025, já somam R$ 7,5 milhões, e seguem sendo pagos à empresa do médico enquanto, em Turilândia, as investigações avançam.
Em Chapadinha, o médico também foi homenageado pelo irmão do deputado e cunhado da prefeita, vereador Ronildo Santos, aumentando o elo de aproximação entre o grupo político e o médico preso.


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