Lojas fecham na Venezuela e há corrida por alimentos e combustível

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Às 7h45 deste sábado (3) em Caracas, havia um clima de calma e grande incerteza após o ataque aéreo do governo dosEstados Unidos ao país, que resultou no anúncio de captura de Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, por forças militares norte-americanas.

As redes sociais e plataformas de mensagens como o WhatsApp foram os únicos meios utilizados pelos venezuelanos para acompanhar o que ocorria durante a madrugada. Moradores de regiões de Caracas e dos estados de La Guaira —onde está localizado o principal porto venezuelano— e Aragua —que abriga uma grande instalação militar— transmitiram vídeos e fotos dos ataques.

“Eles atacaram a Escola Naval, houve um estrondo fortíssimo que nos acordou e, ao olharmos pelas janelas, vimos um incêndio e ouvimos várias detonações. Foi horrível, havia fogo até o céu”, disse Sheila Mata, 37, em La Guaira.

Após os ataques, que ocorreram entre as 2h e as 4h30 da manhã (3h às 5h30 de Brasília), foi divulgada a informação, anunciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a captura de Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores.

A partir desse momento, integrantes do poder venezuelano, como a vice-presidente Delcy Rodríguez, o ministro da Defesa, Vladimir Padrino, e o ministro do Interior, Diosdado Cabello, passaram a exigir prova de vida do líder chavista e a cobrar informações sobre seu paradeiro.

“Diante dessa situação brutal e desse ataque brutal, nós desconhecemos o paradeiro do presidente Nicolás Maduro e da primeira-dama, Cilia Flores. Exigimos do governo do presidente Donald Trump uma prova de vida imediata do presidente Maduro e da primeira-dama”, afirmou Rodríguez em contato telefônico com o canal estatal.

Em razão dos ataques intensos, ainda havia poucos pedestres nas ruas no início da manhã, e a maioria dos estabelecimentos permanecia fechada. Os moradores de Caracas optaram por permanecer em casa para se proteger, mas algumas horas depois já havia gente tentando achar mercados abertps em busca de alimentos e muitos motoristas tentando abastecer seus carros nos postos de gasolina.

A Venezuela decretou estado de comoção e emergência, mas, até o momento, não informou quais medidas serão adotadas durante o estado de exceção.

O acesso aos locais atingidos pelos bombardeios tem sido dificultado, já que militares das Forças Armadas impedem a passagem nessas áreas. Imagens exibidas pelo canal público mostraram danos no aeroporto militar de La Carlota, em Caracas. Também foi possível observar impactos dos ataques em unidades de transporte e em um caminhão antimísseis.

O ministro do Interior, Diosdado Cabello, confirmou a morte de militares e civis, mas informou que o número de vítimas ainda está sendo contabilizado.

Por sua vez, o chanceler venezuelano, Iván Gil, solicitou ao Conselho de Segurança da ONU uma reunião de emergência para denunciar o que considera “ataques de agressão perpetrados contra a República Bolivariana da Venezuela” e para condenar a agressão dos Estados Unidos contra o povo e o governo venezuelanos, além de pedir o cessar dos ataques armados, segundo comunicado publicado no Telegram.

Diversos funcionários públicos e militantes se dirigiram a prédios governamentais para denunciar o ataque norte-americano. “Exigimos que devolvam o presidente Nicolás Maduro. Estamos nas ruas de Caracas e permaneceremos pelo tempo que for necessário até que o devolvam. Que o libertem!”, afirmou uma jovem em transmissão da emissora estatal, cuja identidade não foi informada. Vários porta-vozes do Executivo, em diferentes estados, também foram aos meios estatais pedir calma.

*AHIANA FIGUEROA/folhapress

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