A Heineken informou nesta quarta-feira (11) que pretende cortar até 6 mil postos de trabalho em sua operação global, o equivalente a quase 7% de seu quadro total de cerca de 87 mil funcionários. A decisão ocorre em meio à demanda fraca por cerveja e a um cenário desafiador para o setor de bebidas alcoólicas.
Segunda maior cervejaria do mundo em valor de mercado, a companhia holandesa também projetou um crescimento menor dos lucros em 2026. A expectativa é de alta entre 2% e 6%, abaixo da faixa estimada para 2025, que varia de 4% a 8%. Na semana passada, a concorrente Carlsberg divulgou previsão semelhante.
Fabricante das marcas Heineken, Tiger e Amstel, a empresa afirmou que busca crescer com menos recursos, em resposta a críticas de investidores que consideram a companhia menos eficiente do que seus rivais. A Heineken também está à procura de um novo presidente-executivo após a renúncia inesperada de Dolf van den Brink, em janeiro.
Segundo o diretor financeiro, Harold van den Broek, os cortes têm como objetivo fortalecer as operações e abrir espaço para novos investimentos. Parte das demissões ocorrerá na Europa e em mercados considerados menos estratégicos, além de atingir áreas da cadeia de suprimentos, a sede e unidades regionais.
A empresa informou ainda que as vendas de cerveja caíram 2,4% em 2025, resultado ligeiramente melhor do que o esperado por analistas. Já o lucro operacional anual avançou 4,4% no período, superando a projeção de 4%.
O anúncio do plano de reestruturação impulsionou as ações da Heineken, que registravam alta de 3,7% por volta das 10h45 desta quarta-feira.
O setor enfrenta mudanças estruturais no comportamento do consumidor, especialmente entre os mais jovens, que têm reduzido o consumo de bebidas alcoólicas por motivos ligados à saúde e ao bem-estar. Além disso, a pressão sobre o orçamento das famílias e condições climáticas desfavoráveis recentes também contribuíram para a queda nas vendas.


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