Família acusa Hospital Municipal de Urbano Santos de negligência em caso de AVC que deixou paciente em estado grave

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Urbano Santos (MA) – Uma família da cidade de Urbano Santos, no Maranhão, denuncia publicamente descaso e negligência no atendimento ao Hospital Municipal local, em episódio ocorrido no dia 4 de fevereiro de 2026.

O paciente, pai do denunciante Luis, sofreu um Acidente Vascular Cerebral (AVC) por volta das 2h da madrugada e foi levado imediatamente à unidade de saúde, mas, segundo o relato, enfrentou demora excessiva, falta de avaliação adequada e atraso na transferência para hospital de maior complexidade em São Luís.

De acordo com o depoimento detalhado da família, ao chegar ao hospital, o pedido de cadeira de rodas para transportar o paciente em convulsão e com paralisia parcial demorou mais de 20 segundos, quando o protocolo diz 10.

Na emergência, o enfermeiro estava dormindo e demorou a ser acordado. O médico responsável – identificado no relato como Dr. Rui – teria se aproximado apenas superficialmente, sem exame físico próximo, ignorando sinais evidentes de AVC, como paralisia, língua enrolada e convulsões.

O profissional teria prescrito insulina e dipirona de longe, sem avaliar o quadro de perto, e retornado ao descanso.

A transferência para São Luís só foi autorizada por volta das 11h da manhã, após insistência da família. O paciente foi encaminhado em estado agravado e, conforme atualização da família em 5 de fevereiro de 2026, encontra-se na UTI em São Luís.

O médico informou que, devido à demora no atendimento inicial e na transferência, as chances de recuperação plena são de apenas 10%. Se sobreviver, o quadro pode resultar em sequelas graves, como incapacidade de andar e dificuldades graves na fala.

Não é caso isolado, afirmam moradores

A denúncia reforça que o problema não é pontual. Familiares e outros moradores relatam situações semelhantes no Hospital Municipal de Urbano Santos, com queixas recorrentes de falta de atenção, ignorância no atendimento e descaso com pacientes em estado grave. Exemplos incluem:

  • Casos de pacientes com dores intensas no peito sendo atendidos de forma superficial enquanto outros eram ignorados.
  • Relatos de negação de atendimento em horários noturnos, com recepção inadequada e profissionais dormindo.
  • Um caso anterior trágico: Jordânia Soares Alves, irmã de um morador, ficou internada por dias com diagnóstico equivocado de inflamação muscular e ansiedade, quando na verdade tinha pneumonia. Só foi transferida para São Luís quando não havia mais jeito e faleceu em 26 de março de 2025.

Diversas mensagens em grupos e status de WhatsApp mostram indignação coletiva: “o descaso com a saúde é no Maranhão todo”, “quantas pessoas vão morrer?”, e apelos para que o caso ganhe visibilidade.

Cobrança à gestão municipal

A família cobra diretamente o prefeito Clemildo (ou Clemilton Barros, conforme menções locais em aparições públicas com destinação de recursos, enquanto o hospital estaria em condições precárias.

“Onde estão os olhos do prefeito? Não sou o primeiro a reclamar”, diz o texto da denúncia. A família planeja reunir-se para entrar com processo contra o hospital e busca apoio popular para pressionar autoridades locais e estaduais a investigarem os fatos.

Contexto da saúde em Urbano Santos

Problemas estruturais na saúde pública municipal não são novos em Urbano Santos. Denúncias antigas ao Ministério Público já apontaram falta de médicos, medicamentos e materiais básicos em unidades de saúde da cidade.

Em 2026, o município aderiu a programas como o Mais Médicos Especialistas para tentar reduzir filas e melhorar o atendimento especializado, mas relatos de moradores indicam que a realidade no hospital municipal continua crítica.

A família pede que o caso seja investigado por órgãos como o Ministério Público do Maranhão, Conselho Regional de Medicina e Vigilância Sanitária, para evitar que mais vidas sejam colocadas em risco por falta de estrutura e atenção adequada.

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Da Redação

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