China altera clima e ciclo da água com programa de reflorestamento em larga escala

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Nas últimas décadas, a China implementou um dos maiores programas de reflorestamento do mundo, com destaque para projetos como a chamada “Grande Muralha Verde”, criada para conter a desertificação e reduzir tempestades de poeira no norte do país. O plantio de bilhões de árvores aumentou significativamente a cobertura vegetal, transformando a paisagem e despertando o interesse de pesquisadores sobre os impactos ambientais em larga escala.

Um estudo publicado na revista Earth’s Future, da American Geophysical Union (AGU), confirma que essas mudanças afetaram o clima regional e o ciclo da água em diferentes regiões da China. A pesquisa foi conduzida por cientistas da Tianjin University, China Agricultural University, em Pequim, e Utrecht University, na Holanda, analisando dados entre 2001 e 2020. Segundo os autores, o aumento da vegetação elevou a evapotranspiração, redistribuindo a umidade atmosférica e alterando padrões de precipitação no país.

Os efeitos, entretanto, não foram uniformes. Enquanto regiões como o Planalto Tibetano passaram a receber mais chuva, áreas do leste monçônico e do noroeste árido registraram redução na disponibilidade hídrica, já que as árvores consomem mais água do que a vegetação original. Os pesquisadores destacam que o caso chinês mostra como intervenções ambientais em escala continental podem gerar benefícios importantes, mas também provocar efeitos colaterais, exigindo planejamento e monitoramento rigorosos.

 

 

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Da Redação

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