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Lula ameaça reciprocidade após EUA pedirem saída de delegado da PF envolvido na prisão de Ramagem

person Por Da Redação
schedule 21/04/2026 às 13:41
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta terça-feira (21) que o Brasil adotará reciprocidade caso seja confirmado um “abuso” dos Estados Unidos contra um delegado da Polícia Federal (PF) que atuou na prisão do ex-deputado Alexandre Ramagem, na Flórida. A declaração foi dada a jornalistas durante viagem à Alemanha.

“Não sei o que aconteceu. Fui informado hoje de manhã. Acho que, se houve um abuso americano com relação ao nosso policial, nós vamos fazer a reciprocidade com o deles no Brasil. Não tem conversa”, disse o presidente.

Lula também reagiu ao que classificou como tentativa de interferência indevida de autoridades americanas. “Nós queremos que as coisas aconteçam da forma mais correta possível, mas não podemos aceitar essa ingerência, esse abuso de autoridade que alguns personagens americanos querem ter com relação ao Brasil.”

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EUA pedem saída de delegado da PF do território americano

A declaração de Lula ocorre um dia após o Escritório para Assuntos do Hemisfério Ocidental dos Estados Unidos publicar, na rede social X, uma nota informando que pediu a saída de um “funcionário brasileiro” do país. Embora o texto não mencione o nome, o contexto indica que se trata do delegado da Polícia Federal envolvido na prisão do ex-deputado Ramagem.

Na nota, o órgão americano acusou o servidor de ter tentado contornar mecanismos formais de cooperação jurídica internacional.

“Nenhum estrangeiro pode manipular nosso sistema de imigração para contornar pedidos formais de extradição e estender perseguições políticas ao território dos Estados Unidos. Hoje, pedimos que o funcionário brasileiro envolvido deixe o nosso país por tentar fazer isso”, diz o comunicado.

Quem é Alexandre Ramagem e por que foi preso

Ramagem foi preso em Orlando, na Flórida, no dia 13 de abril, após operação de cooperação policial entre o Brasil e os Estados Unidos, sendo solto dois dias depois, na última quarta-feira (15).

Ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e ex-deputado federal, Ramagem foi condenado em 2025 pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 16 anos de prisão por envolvimento na trama golpista que tentou impedir a posse do presidente Lula. A condenação incluiu crimes como organização criminosa armada, tentativa de golpe de Estado e abolição violenta do Estado Democrático de Direito.

Após perder o mandato parlamentar em decorrência da condenação, Ramagem fugiu do Brasil para evitar o cumprimento da pena e passou a residir nos Estados Unidos. Em dezembro de 2025, o ministro Alexandre de Moraes, do STF, determinou o envio de pedido formal de extradição ao governo americano, por meio do Ministério da Justiça e Segurança Pública.

A Polícia Federal informou que a detenção de Ramagem em Orlando foi resultado direto dessa cooperação internacional e que o ex-deputado é considerado foragido da Justiça brasileira.

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