Denúncia contra Felipe pode inviabilizar palanque com Braide
A denúncia apresentada pelo Ministério Público do Maranhão contra o vice-governador Felipe Camarão (PT) pode inviabilizar uma eventual aliança com o prefeito de São Luís, Eduardo Braide (PSD), nas eleições deste ano.
Quarto colocado nas pesquisas para o Governo do Estado, o petista vinha ensaiando disputar o Senado com apoio de Braide, que lidera os levantamentos de intenção de voto ao Palácio dos Leões. A articulação, impulsionada por aliados do campo comunossocialista, buscava reposicionar o dinismo no estado, mas perdeu força após a repercussão nacional do caso.
A aproximação, contudo, esbarra nas denúncias reveladas no último fim de semana, que apontam a existência de um suposto esquema de movimentações financeiras atípicas envolvendo o vice-governador.
De acordo com a representação assinada pelo procurador-geral Danilo José de Castro Ferreira, há indícios de uso de terceiros, incluindo policiais militares ligados ao Gabinete Militar, para operar recursos milionários. O relatório cita mais de 1.085 transferências via Pix, R$ 360 mil em operações fracionadas para dificultar rastreamento e a aquisição de imóveis de alto padrão avaliados em cerca de R$ 4,7 milhões, sem vínculo formal direto com Camarão. Também são mencionados pagamentos de despesas pessoais e indícios de utilização de interpostas pessoas para ocultação de valores.
Nos bastidores, o caso já é comparado ao episódio do “Clio do Milhão”, envolvendo um familiar de Braide durante a campanha de 2024. À época, a repercussão não foi suficiente para afetar o desempenho eleitoral do prefeito, que venceu no primeiro turno.
Agora, a avaliação é outra. Aliados consideram que a denúncia tem maior consistência e potencial de desgaste, o que pode comprometer a construção de um palanque conjunto e aprofundar o isolamento político de Camarão.
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