A estrada para o Povoado Achuí, em Humberto de Campos, no Maranhão, é mais do que um trecho de terra batida de cerca de 18,8 km: para quem vive lá, ela é o caminho da escola, do escoamento da produção rural, do acesso ao médico, à cidade.
É o que conecta famílias, sonhos e o sustento diário de agricultores e pecuaristas que dependem dela, sem atolar o carro ou a moto na lama.Durante a campanha e no início da gestão, o prefeito Luís Fernando dos Santos Silva prometeu melhorias concretas nessa via vicinal, que liga a sede municipal à MA-402.
Muitos moradores se animaram com a perspectiva de uma recuperação que facilitasse a vida cotidiana – talvez até com pavimentação em alguns trechos, ou pelo menos um patrolamento decente, cascalhamento e drenagem para acabar com as poças e buracos que viram armadilhas nas chuvas.
Em dezembro de 2022, a prefeitura assinou o contrato nº 9399330/2022 com a Ampla Engenharia Ltda, no valor de R$ 1.424.950,00. O objeto era claro: adequação e recuperação da estrada que dá acesso ao Achuí. Começou com prazo de execução até o final de 2025, e o status oficial no Portal da Transparência da prefeitura era “em andamento” ainda em agosto de 2025.
O projeto básico falava em melhorar a trafegabilidade, ajudar no escoamento da produção e facilitar o acesso das crianças às escolas.Mas o tempo passou, o prazo original terminou em 31 de dezembro de 2025, e a realidade na estrada não acompanha as expectativas. Moradores relatam que, apesar de alguns serviços terem sido feitos – talvez nivelamento aqui, cascalho ali –, bem pouco avançou de forma visível e duradoura.
Há quem diga que o que foi executado é mínimo comparado ao valor investido e ao que foi prometido. Em redes sociais, em grupos locais, circulam vídeos e fotos mostrando trechos ainda precários, com reclamações sobre manutenção improvisada: máquinas passando apenas para “manter” a via, sem resolver os problemas de fundo.Recentemente, em 2025, surgiram novas movimentações: editais e pregões para saldo remanescente da mesma obra, inclusive com menção ao contrato de repasse MAP nº 939330/2022.
Há também um contrato 045/2024 relacionado ao mesmo trecho. Mas para quem depende da estrada todo dia, essas explicações burocráticas não amenizam o barro que entra pela janela do carro nem o custo extra com consertos de veículos.“É frustrante ver tanto recurso anunciado e a estrada continuar do mesmo jeito”, desabafa um produtor rural do Achuí, que prefere não se identificar por medo de retaliações. “A gente planta, cria, mas na hora de escoar, sofre. As crianças perdem aula quando chove forte.
O prefeito prometeu, e a gente acreditou, disse um morador.
Mas a estrada do Achuí segue como um ponto sensível: símbolo de uma promessa que, para muitos, ainda não se concretizou plenamente.Enquanto isso, a via continua sendo o retrato vivo da paciência do povo do interior maranhense – resiliente, esperando que, enfim, o caminho para o futuro chegue mais perto de casa.