Érica Hilton diz que não e ideológico o debate, mas, por políticas públicas “o uso do banheiro é um absurdo”
No programa Roda Viva, a deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) classificou o debate sobre o uso de banheiros por pessoas trans como “um espantalho absurdo”.
A parlamentar defendeu a pauta dos direitos trans — mas, ao fazê-lo, deixou sem resposta uma pergunta legítima: quem representa as mulheres nessa discussão?
O debate sobre identidade de gênero e espaços segregados por sexo é necessário e urgente. Mas ele não pode ser conduzido de forma unilateral.
As mulheres — especialmente as mais vulneráveis, como vítimas de violência sexual e abuso — têm o direito de se sentir seguras em ambientes reservados ao seu sexo biológico. Ignorar essa preocupação não é progressismo; é silenciamento.
Reduzir a inquietação de milhões de mulheres a um “espantalho” é, no mínimo, um equívoco político.
Segurança, privacidade e o direito de ocupar espaços sem constrangimento são conquistas históricas do movimento feminista — e merecem ser tratadas com seriedade, não descartadas como retrocesso.
Uma saída razoável e respeitosa para todos seria a criação de banheiros neutros ou individuais destinados a pessoas que não se identificam com nenhum dos gêneros binários. Essa solução preserva a segurança e o conforto das mulheres sem negar dignidade a ninguém.
O debate plural exige que todas as vozes sejam ouvidas — inclusive, e especialmente, a das mulheres.
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