Brasil fica atrás de Índia e Iraque em indicadores de saneamento básico
Apesar de ser uma das maiores economias do mundo, o Brasil ainda enfrenta graves deficiências no saneamento básico e aparece atrás de países como Índia e Iraque em alguns indicadores internacionais, especialmente no acesso ao esgoto coletado e tratado.
De acordo com dados utilizados por organismos como a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Unicef, cerca de metade da população brasileira não tem acesso ao tratamento adequado de esgoto. Em comparações recentes, **Índia e Iraque aparecem à frente do Brasil em métricas que avaliam o acesso a serviços básicos de saneamento, considerando padrões globais.
No caso brasileiro, o Censo 2022 do IBGE indica que aproximadamente 62,5% dos domicílios estão ligados à rede de esgoto, mas nem todo o volume coletado passa por tratamento adequado. Na prática, isso significa que milhões de brasileiros ainda convivem com esgoto a céu aberto, fossas precárias ou lançamento direto em rios e córregos.
Especialistas apontam que a defasagem ocorre mesmo após a aprovação do Novo Marco Legal do Saneamento (Lei nº 14.026/2020), que estabelece a meta de universalização do acesso à água potável e ao esgoto até 2033. Para atingir esse objetivo, o país precisará ampliar significativamente os investimentos anuais no setor.
Desde 2020, concessões e parcerias público-privadas já movimentaram mais de R$ 160 bilhões, mas o ritmo ainda é considerado insuficiente para superar décadas de atraso, especialmente nas regiões Norte e Nordeste, onde os índices de cobertura são historicamente mais baixos.
A falta de saneamento adequado impacta diretamente a saúde pública, o meio ambiente e o desenvolvimento econômico, contribuindo para o aumento de doenças de veiculação hídrica, desigualdades sociais e custos ao sistema de saúde. O desafio, segundo especialistas, exige ações coordenadas entre governos, iniciativa privada e sociedade civil para que o Brasil consiga reverter o quadro e cumprir as metas previstas em lei.
Compartilhe: