00:00:00 | cloud --°C
Assine |
person Entrar
Imaranhão
Publicidade
Publicidade

BRB anuncia acordo com Quadra Capital para vender R$ 15 bilhões em ativos do Master

person Por Da Redação
schedule 21/04/2026 às 15:32
update Atualizado: 21/04/2026 às 15:36
visibility 10 Visualizações

O Banco Regional de Brasília (BRB) divulgou fato relevante na noite deste segunda-feira informando ter celebrado um memorando de entendimento com a gestora Quadra Capital para vender parte de ativos que eram do Banco Master. De acordo com banco estatal, a operação possui valor de referência de R$ 15 bilhões. A negociação foi antecipada na semana passada pelo colunista Lauro Jardim, do o Globo.

O acordo prevê uma primeira parcela à vista de R$ 3 bilhões a R$ 4 bilhões, o valor remanescente, estimado entre entre R$ 11 bilhões e R$ 12 bilhões, será vendido por meio de cotas de fundo de investimento a ser estruturado para a gestão e monetização dos ativos.

Em comunicado ao mercado, o banco do Distrito Federal afirma que o memorando de entendimento com a Quadra Capital tem como “finalidade a estruturação de fundo de investimento destinado à transferência de ativos oriundos de operações recebidas pelo BRB do Banco Master”.

Publicidade
Publicidade

“O BRB através da Operação visa a alienação dos referidos ativos com o objetivo defortalecer sua estrutura de capital e sua liquidez, bem como aprimorar a gestão de seu portfólio,sendo a transação etapa relevante no processo de readequação da Companhia, com expectativade efeitos positivos sobre a liquidez, a gestão de ativos e a racionalização patrimonial”, diz o banco no comunicado.

O BRB tentava há meses vender esses ativos recebidos do Master como compensação por uma carteira anterior, fraudulenta, de R$ 12,2 bilhões. O banco estatal tem dito que os ativos foram registrados com deságio e que seu valor de face gira em torno de R$ 21,9 bilhões. Desse total, uma parcela de aproximadamente R$ 6,6 bilhões é considerada de maior risco, o que deixaria um volume próximo de R$ 15 bilhões em ativos de melhor qualidade — o montante que alvo de interesse dos investidores.

O BRB está sem publicar demonstrações financeiras há nove meses e, desde 31 de março, vem pagando multa diária de R$ 30 mil por não ter publicado o balanço de 2025. Em meio à crise, enquanto não encontrava comprador para os ativos herdados do Master, vinha se desfazendo até de carteiras de crédito considerada saudáveis, o que levantava preocupações com a sua sustentabilidade a longo prazo.

Conforme noticiou a colunista Malu Gaspar, o BRB chegou bem próximo de ficar sem dinheiro para pagar seus compromissos, ou seja, beirou a insolvência, em alguns momentos críticos. A última vez foi na sexta-feira dia 10 de abril. Na ocasião, para ganhar liquidez, o banco vendeu um lote de carteiras de crédito consideradas boas pelo mercado.

Ainda segundo a colunista, o BRB já vendeu cerca de R$ 10 bilhões em carteiras de crédito aos concorrentes comerciais, sempre com descontos. Restariam, portanto, cerca de R$ 60 bilhões em empréstimos, mas parte disso sem saída interesse imediato do mercado.

A negociação dos ativos com a Quadra Capital já estava em análise pelo Banco Central e foi aprovada pelo conselho de administração do BRB nesta segunda-feira. O presidente do BRB, Nelson de Souza, afirmou em entrevista ao GLOBO no início de abril que o operação resolve o problema de liquidez da instituição porque os R$ 4 bilhões serão obtidos à vista com a venda da chamada cota sênior.

Para resolver o problema de capital do banco, o governo do Distrito Federal está em negociação com um consórcio de bancos para tentar destravar um pedido de empréstimo de R$ 6,6 bilhões feito ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC) com o objetivo de socorrer o BRB.

Segundo interlocutores a par das discussões, após todas as perdas com as instituições do grupo Master, que já beiram R$ 60 bilhões, o fundo está mais cauteloso e teria sinalizado que a operação só iria adiante com a entrada de bancos.

O avanço das conversas com as instituições financeiras ainda depende de condições solicitadas ao BRB, sobretudo sobre as garantias. O FGC também demandou mais documentos e informações ao Banco de Brasília. O BRB, por sua vez, não apresentou o balanço no prazo nem tem data para divulgar o resultado que daria a exata dimensão do buraco causado pelas operações com o Master.

A direção do BRB pretende aprovar o aumento de capital na Assembleia Geral Extraordinária (AGE) de acionistas convocada para 22 de abril. O plano é divulgar o balanço consolidado de 2025 em 29 de abril.

Compartilhe:

Notícias Relacionadas