Cruzeiro LGBTQ+ é proibido de atracar no Egito, dias depois de ser barrado na Turquia
Um cruzeiro voltado ao público LGBTQ+ foi impedido de atracar no Egito nesta quinta-feira (9), poucos dias depois de ter sido barrado pelas autoridades da Turquia, segungo o jornal americano The Washington Post. O navio Scarlet Lady, da Virgin Voyages, leva cerca de 2 mil passageiros e faria uma escala em Alexandria, incluída no roteiro após a recusa turca. Segundo o CEO da Atlantis Events, empresa responsável pela viagem, a autorização para o desembarque foi revogada de última hora, sem explicação.
Rich Campbell, presidente da Atlantis Events, afirmou ao jornal americano que a decisão foi “realmente inédita”, além de “estranha e triste”. Segundo ele, a empresa foi informada de que o Scarlet Lady não teria permissão para entrar em águas egípcias poucas horas antes da chegada ao porto.
Segundo o site britânico Daily Mail, os passageiros acordaram com um comunicado deixado sob a porta das cabines informando que a escala havia sido cancelada. Na mensagem, Campbell afirmou que a notícia surpreendeu tanto a organização quanto os viajantes e lembrou que a empresa realizou o mesmo itinerário no ano passado sem enfrentar qualquer problema.
A parada em Alexandria, no Egito, havia sido incluída às pressas depois que a Turquia proibiu o navio de fazer escalas em Kusadasi e Istambul. O cruzeiro, que partiu de Atenas no último dia 5 com destino final a Veneza, precisou alterar seu roteiro após as autoridades turcas afirmarem que a embarcação havia sido fretada por “grupos conhecidos por comportamentos que não se alinham à estrutura de nossa sociedade e aos nossos valores morais”, ainda segundo o periódico britânico. Segundo o governo turco, não havia “absolutamente nenhuma possibilidade” de permitir a visita do grupo.
Em entrevista anterior à CNN, Campbell classificou a justificativa apresentada pela Turquia como “bastante chocante”. Segundo ele, foi a primeira vez, em 36 anos de existência da Atlantis Events, que a empresa foi impedida de atracar em um país “por causa de quem somos”. Agora, a companhia afirma ter enfrentado duas recusas em uma mesma viagem.

A Virgin Voyages também lamentou a decisão egípcia e informou que, como alternativa, o navio seguirá para Kotor, em Montenegro. A companhia destacou que havia operado o mesmo roteiro anteriormente sem incidentes e afirmou que continuará trabalhando para garantir uma boa experiência aos passageiros.
Dos cerca de 2 mil viajantes a bordo, aproximadamente 1.100 são norte-americanos. Os demais vieram de países como Reino Unido, Canadá e Austrália.
Embora as relações entre pessoas do mesmo sexo não sejam ilegais nem no Egito nem na Turquia, a comunidade LGBTQ+ enfrenta restrições e forte estigma social nos dois países. No Egito, autoridades aplicam leis relacionadas à moralidade pública e à chamada “devassidão” para punir integrantes da comunidade. Já na Turquia, apesar da legalidade da homossexualidade, o governo do presidente Recep Tayyip Erdogan adota posições conservadoras sobre o tema e frequentemente faz declarações contrárias aos direitos LGBTQ+.
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