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Trump diz que cessar-fogo está na UTI após rejeitar proposta do Irã, que a chama de ‘razoável e generosa’

person Por Joabe Santos
schedule 11/05/2026 às 15:09
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O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou nesta segunda-feira que o cessar-fogo com o Irã está “na UTI” após o governo iraniano apresentar uma contraproposta aos 14 pontos enviados por Washington a mediadores do Paquistão para encerrar a guerra. Em uma declaração à imprensa na Casa Branca, Trump disse que sequer acabou de ler o documento iraniano, comparando-o a “um monte de lixo”, um dia após classificar a devolutiva como “inaceitável”. Horas antes, o principal porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, definiu a proposta iraniana como “razoável e generosa”.

[O cessar-fogo] Está inacreditavelmente fraco. Eu diria que está no ponto mais frágil depois de ler aquele monte de lixo que eles nos enviaram. Eu sequer acabei de ler. Neste momento, [o cessar-fogo] está na UTI — afirmou Trump, em resposta a uma pergunta durante um evento com a imprensa no Salão Oval da Casa Branca. — O cessar-fogo está em estado crítico, como quando o médico entra e diz: ‘Senhor, seu ente querido tem exatamente 1% de chance de sobreviver’.

O Irã entregou uma contraproposta a mediadores do Paquistão no fim de semana, em resposta a uma lista de demandas americanas para fechar um acordo de paz. A mídia estatal da nação persa detalhou que entre os pontos de Teerã estavam o reconhecimento da soberania sobre o Estreito de Ormuz e o pagamento de indenizações pelos ataques ao território do país. Em uma coletiva de imprensa em Teerã nesta segunda-feira, Baghei, defendeu a contraproposta.

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— Tudo o que propusemos em nosso texto consistia em demandas razoáveis, pedidos responsáveis ​​e propostas generosas, não apenas para os interesses nacionais do Irã, mas para o bem, a estabilidade e a segurança de toda a região e do mundo — disse Baghaei.

O porta-voz acrescentou que as exigências incluíam o fim da guerra em toda a região, o fim da “pirataria marítima contra navios iranianos” — como o governo de Teerã se refere ao bloqueio americano a portos do país — e o levantamento das sanções que congelaram bens do país no estrangeiro.

Apesar do otimismo que autoridades americanas tentaram demonstrar ao longo da semana passada sobre a proximidade de um acordo, analistas apontavam que o suposto documento americano com 14 pontos e uma única página não apresentava avanços em temas que já haviam impedido acertos anteriormente. A contraproposta enviada pelo Irã, por exemplo, ignorou discussões sobre um possível acordo nuclear neste momento — uma prioridade para a Casa Branca e seus aliados em Israel.

Na Casa Branca, Trump afirmou que o impasse não significa que os EUA recuarão, apontando que o país está preparado para “alcançar a vitória total”. O republicano ainda sugeriu que uma retomada da guerra levaria a uma “luta rápida” — ainda no fim de semana, o presidente disse que os EUA poderiam bombardear em duas semanas todos os alvos de interesse restantes no país.

A retórica bélica de Trump está alinhada a do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu. Em uma entrevista à TV americana no fim de semana, o líder israelense disse que o conflito não havia chegado ao fim e que o urânio enriquecido por Teerã deveria ser “retirado” antes do fim da operação militar contra o país.

Questionado se havia possibilidade de negociação, Trump disse que a liderança iraniana está dividida entre “malucos” e “moderados”, e que o primeiro grupo estaria interessado em “lutar até o fim”. A rede americana CNN apontou nesta segunda-feira para a existência de uma ala radical dentro da hierarquia de poder iraniana, chamado “Jebhe-ye Paydari”, ou Frente da Resistência, cujos membros de identificam como revolucionários de vanguarda, defensores da Revolução Islâmica de 1979. O grupo teria intensificado atividades públicas e nos bastidores para boicotar qualquer acordo com os EUA.

O colapso das negociações sobre a proposta americana levou a uma nova alta no preço do petróleo, que tem impacto no mercado global. França e Reino Unido anunciaram que seus ministros da Defesa copresidirão uma reunião com representantes de quase 40 países dispostos a contribuir para uma missão destinada a garantir a segurança do Estreito de Ormuz, na terça-feira.

Em uma declaração ao canal Fox News, Trump disse que considera retomar os esforços dos EUA para escoltar petroleiros e outras embarcações comerciais pelo Estreito de Ormuz — escopo do “Projeto Liberdade”, lançado em 6 de maio, mas abandonada menos de dois dias depois. O republicano ponderou, porém, que não havia tomado uma decisão final. O Irã advertiu que haverá uma “resposta decisiva e imediata” em caso de mobilização militar na região.

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