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Câmara de Humberto de Campos enterra denúncias de funcionários fantasmas no Fundeb e vira as costas para a fiscalização

person Por Da Redação
schedule 23/03/2026 às 23:07
update Atualizado: 23/03/2026 às 23:09
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Em uma sessão marcada por omissão, corporativismo e defesa explícita da gestão, a Câmara Municipal de Humberto de Campos (MA) recebeu, nesta quarta-feira (18 de março de 2026), denúncias graves sobre irregularidades na folha de pagamento do Fundeb — recursos exclusivos para a educação básica.
As representações, já protocoladas no Tribunal de Contas do Estado (TCE-MA), no Ministério Público do Maranhão (MPMA) e no Ministério Público Federal (MPF), apontam a existência de funcionários fantasmas, servidores que recebem salários sem prestar serviço efetivo na rede municipal de ensino.
Das 11 manifestações ou votos na casa, apenas um vereador teve coragem de defender a apuração séria dos fatos: o vereador Federal Machado (PDT). Ele não só se posicionou a favor da investigação como denunciou abertamente a perseguição implacável que a gestão municipal vem promovendo contra quem ousa criticar: remoções arbitrárias, processos administrativos disciplinares e todo tipo de pressão contra qualquer funcionário público que levante a voz.
O resto da Câmara?
Silêncio constrangedor ou apoio explícito ao engavetamento.O discurso mais emblemático — e revelador — veio do vereador Aarão Neto, presidente da Comissão de Educação e Saúde. Em tom de advogado de defesa da gestão, ele descartou a denúncia alegando que o documento “não apresenta elementos probatórios mínimos”, limita-se a “alegações genéricas e desprovidas de comprovação concreta” e não contém “provas documentais, relatos formalizados, indicação de atos administrativos específicos nem demonstração de prejuízo efetivo”.
Aarão Neto ainda alertou que o Legislativo não pode se transformar em “instrumento de apuração de denúncias genéricas” e que é preciso “responsabilidade técnica” e “base probatória mínima” para não violar o devido processo legal. Palavras bonitas, mas que, na prática, servem para pisar em cima e engavetar qualquer cobrança incômoda.
O que a Câmara prefere ignorar: perseguição sistemática
As denúncias não são “genéricas”. Elas revelam um padrão claro de perseguição implacável contra servidores que criticam a gestão: remoções punitivas, abertura de processos administrativos disciplinares e todo tipo de retaliação contra quem aponta irregularidades.
Casos reais vêm à tona quase diariamente — servidores transferidos, pressionados ou “convidados” a pedir exoneração só por ousarem questionar o uso indevido do dinheiro da educação.
Enquanto isso, Aarão Neto tem a cara de pau de dizer que se trata de algo “sem relevância coletiva”. “Como político, ele dá um péssimo exemplo: anda junto com os corruptos e os defende com unhas e dentes”, Disse um morador ouvido por nossa reportagem.
Segundo informações, Aarão Neto teria vários parentes trabalhando na prefeitura, o que explicaria essa bajulação e a pressa em blindar a gestão a qualquer custo.
O rombo que o povo paga
O Sinproesemma protocolou representação no MPMA apontando 14 funcionários fantasmas e 19 servidores com indícios de não comparecimento, com rombo estimado em mais de R$ 5,4 milhões por ano só no Fundeb.
Folhas de pagamento revelam absurdos concretos: ex-vereadores lotados na Educação sem prestar serviço, pescador, dona de casa e outros nomes que nunca pisaram em sala de aula ou repartição escolar.Esses recursos do Fundeb são constitucionalmente vinculados à educação.
Cada real pago a um “fantasma” é dinheiro roubado das escolas, dos alunos e dos professores que realmente trabalham. Enquanto a Câmara discute “falta de provas”, crianças estudam em condições precárias e o dinheiro público some.
Corporativismo e possível nepotismo acima da transparência
O posicionamento majoritário da Câmara revela o pior da política municipal maranhense: o Legislativo funcionando como escudo da gestão, em vez de seu fiscal.
Quando o único voto favorável à apuração vem de um vereador que já rompeu com a base do prefeito Luis Fernando, fica evidente que o critério não é jurídico — é de proteção mútua.
Dizer que a denúncia é “genérica” sem ao menos determinar diligências para coletar mais provas não é responsabilidade técnica. É covardia fiscalizatória ou, pior, conivência com o desvio.
Denúncias de desvio de recursos públicos, especialmente em um fundo sensível como o Fundeb, merecem investigação profunda, não arquivamento sumário sob o pretexto de “ausência de indícios mínimos”.
Aarão Neto, ao defender essa blindagem, mostra exatamente por que o povo desconfia: quando o político tem parentes na folha, a defesa da “gestão” vira prioridade sobre a defesa do erário.
O que precisa acontecer agora

A sociedade de Humberto de Campos não pode aceitar que a Câmara transforme o parlamento em escritório de advocacia da gestão — ou em clube de proteção de interesses familiares. Os órgãos de controle (TCE, MPMA e MPF) já têm as denúncias em mãos e devem agir com rigor, independentemente do que decidirem os vereadores.É urgente:

 

  • Auditoria completa na folha do Fundeb;
  • Convocação dos supostos “fantasmas” para comprovar trabalho;
  • Investigação das remoções punitivas e processos disciplinares usados como arma de perseguição;
  • Apuração de possíveis casos de nepotismo e favorecimento familiar na prefeitura;
  • Transparência total das folhas de pagamento e das indicações políticas.

 

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Enquanto isso, a maioria dos vereadores de Humberto de Campos — liderados por figuras como Aarão Neto — prefere pisar em cima, engavetar e defender os corruptos. O povo paga a conta — literalmente, com recursos da educação sendo desperdiçados e servidores honestos sendo perseguidos.

 

 

 

A omissão não é neutralidade. É cumplicidade. E a população merece saber quem, de fato, defende o dinheiro público e quem apenas protege interesses de gabinete e de família.

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