Cruzeiro vence Atlético e é campeão do Mineiro em final manchada por pancadaria
Com gol de Kaio Jorge e pancadaria generalizada dentro de campo nos minutos finais, prevaleceu o lado celeste na noite deste domingo (8/3). Em superclássico especial com torcida dividida no Mineirão, relembrando os velhos tempos no maior palco do futebol em Belo Horizonte, o Cruzeiro venceu o Atlético, por 1 a 0, e voltou a conquistar o Campeonato Mineiro depois de sete anos. Com o triunfo, a Raposa ainda impediu um hepta inédito do Galo no Estadual e ampliou o amargor do arquirrival.
A maior rivalidade de Minas Gerais foi celebrada em clássico único no Gigante da Pampulha, com ampla festa de ambas as torcidas antes e durante o confronto. Depois do apito final, melhor para os cruzeirenses, que comemoraram o 39° título do Campeonato Mineiro.
O confronto foi marcado por amplo equilíbrio no Mineirão, com poucas oportunidades de gols para ambos os lados. No fim das contas, vantagem para o Cruzeiro, que aproveitou a melhor chance da finalíssima e foi às redes com seu principal goleador.
A Raposa também teve méritos pela performance defensiva. O Galo se mostrou improdutivo no ataque, e o goleiro Cássio sequer sujou o uniforme.
Próximos jogos de Cruzeiro e Atlético
Cruzeiro e Atlético voltam a campo na noite da quarta-feira (11/3), para compromissos pela quinta rodada da Série A do Campeonato Brasileiro. A Raposa visitará o Flamengo no Maracanã, no Rio de Janeiro, a partir das 21h30. Já o Galo receberá o Internacional na Arena MRV, em Belo Horizonte, a partir das 19h.
Cruzeiro x Atlético: o jogo
Sob o pulsar de uma arquibancada vibrante, Cruzeiro e Atlético protagonizaram bom início de clássico no Mineirão. Em um primeiro momento, a Raposa controlou a posse de bola, enquanto o Galo abaixou as linhas para marcar. Ainda nos instantes iniciais, no entanto, o cenário se inverteu, e o time alvinegro passou a aparecer mais no campo ofensivo.
Logo aos 15 minutos, Eduardo Domínguez foi forçado a fazer alteração no Atlético. O jovem meio-campista guineense Mamady Cissé sentiu dores no tornozelo direito e precisou deixar o campo, ajudado por companheiros, para a entrada de Igor Gomes.

O Cruzeiro trocava passes no meio de campo, buscando principalmente as associações entre Matheus Pereira e Gerson pelo lado esquerdo. O Atlético também priorizava o lado esquerdo do ataque, com aproximações entre Victor Hugo, Dudu e Hulk.
Com o decorrer dos minutos, era o Galo o time que chegava com mais frequência ao setor ofensivo. A Raposa, de toda maneira, protegia bem a própria área e impedia chances mais claras de gol.
Entradas duras de ambos os lados esquentavam o clima dentro das quatro linhas. Do lado alvinegro, houve reclamação por faltas em sequência do lateral-esquerdo celeste Kaiki, que foi amarelado logo aos oito minutos de jogo.
O primeiro tempo foi marcado principalmente pelas consistências defensivas de Cruzeiro e Atlético, que procuravam se expor pouco na final única. A reta final teve um pouco mais de emoção, com espaços e contra-ataques em velocidade de ambos os times, mas Raposa e Galo pecaram nos acabamentos das jogadas.
O Cruzeiro cometeu falhas especialmente no terço final, inclusive em situações nas quais teve igualdade numérica em contra-ataques. Já o Atlético sofreu em alguma medida pela baixa incisividade dos meio-campistas Alan Franco, Igor Gomes e Bernard, que exageraram nos erros técnicos.

Segundo tempo
No início da etapa complementar, o Cruzeiro assumiu controle da posse de bola e buscava formas de desestruturar a defesa do Atlético. O time de Tite circulava, enquando os comandados de Eduardo Domínguez protegiam a área com linhas mais baixas.
Até que, aos 14 minutos, uma boa triangulação da Raposa surtiu efeito. Matheus Pereira encontrou Gerson na linha de fundo depois de bela troca de passes, e o meio-campista cruzou na medida para Kaio Jorge, que subiu mais alto que a defesa do Galo e cabeceou. A bola bateu na trave e foi defendida por Everson, mas a arbitragem assinalou gol ao constatar que a bola passou da linha: 1 a 0 para o Cruzeiro.
Depois do tento, teve início uma intensa discussão entre jogadores dos dois times dentro de campo. A partida demorou a recomeçar no Gigante da Pampulha, enquanto o lado celeste das arquibancadas fazia a festa.
Tite acionou Bruno Rodrigues na vaga do “garçom” Gerson, enquanto Domínguez respondeu com as entradas de Cassierra e Minda nos lugares de Bernard e Victor Hugo, respectivamente. O Atlético se lançou ao ataque em busca do empate e passou a ceder mais espaços em contra-ataques – cenário que incendiou o duelo.
A tensão crescia para o lado alvinegro na medida em que o relógio corria no Mineirão. O Galo tentava se aproximar da meta de Cássio, e Domínguez chegou a atender pedido da torcida ao colocar Gustavo Scarpa em campo.
O Atlético insistia em cruzamentos, enquanto o Cruzeiro se defendia bem e gastava o tempo para conservar o resultado favorável. A Raposa tinha sucesso nesta missão, sem sofrer grandes sustos diante também da improdutividade ofensiva pelo lado alvinegro.
No fim das contas, festa celeste no Gigante da Pampulha – com direito à enorme pancadaria entre atletas e membros das comissões técnicas nos acréscimos (sobraram voadoras, chutes e socos no gramado). Superior ao arquirrival no superclássico, o Cruzeiro conquistou o Campeonato Mineiro pela 39ª vez.
CRUZEIRO 1 x 0 ATLÉTICO
Cruzeiro
Cássio; William, Fabrício Bruno, Villalba e Kaiki; Lucas Silva (Matheus Henrique, aos 28min do 2°T), Lucas Romero e Matheus Pereira; Gerson (Bruno Rodrigues, aos 18min do 2°T), Christian e Kaio Jorge (Wanderson, aos 41min do 2°T)
Técnico: Tite
Atlético
Everson; Natanael (Preciado, aos 30min do 2°T), Ruan Tressoldi, Vitor Hugo e Renan Lodi; Alan Franco, Cissé (Igor Gomes, aos 15min do 1°T; depois, Gustavo Scarpa, aos 30min do 2°T) e Victor Hugo (Alan Minda, aos 20min do 2°T); Dudu, Bernard (Cassierra, aos 20min do 2°T) e Hulk
Técnico: Eduardo Domínguez
- Motivo: final do Campeonato Mineiro
- Data: 8/3/2026
- Estádio: Mineirão, em Belo Horizonte
- Árbitro: Matheus Delgado Candançan
- Assistentes: Bruno Raphael Pires e Fábio Pereira
- VAR: Rodrigo Guarizo Ferreira do Amaral
- Gols: Kaio Jorge (Cruzeiro, aos 14min do 2°T)
- Cartões amarelos: Kaiki, Matheus Pereira, Villalba, Kaio Jorge, William (Cruzeiro); Vitor Hugo, Ruan Tressoldi, Natanael, Renan Lodi(Atlético)
- Público: 49.675 pessoas
- Renda bruta: R$ 7.316.605,00
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