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A ambulância milagrosa em Tutóia: – que foi, ao mesmo tempo, doada e comprada

person Por Da Redação
schedule 07/02/2025 às 20:54
visibility 171 Visualizações

Nuvens escuras pairam sobre o Maranhão neste inicio de fevereiro. Não apenas as atmosféricas, mas aquelas que anunciam tempos nebulosos, também na administração pública. Neste particular, aqui em Tutóia, a tempestade não é só de raios e trovões, mas de contradições e incoerências que desafiam até o mais crédulo dos cidadãos.

Eis que, talvez no desejo de enaltecer as ‘supostas’ habilidades de articulação política do prefeito VIRIATO CARDOSO, os entusiastas do canal Ruy Mídia  e do sempre confiável Amigos do Viriato apressaram-se em divulgar à plenos pulmões a grande façanha do gestor: a aquisição de uma ambulância, fruto de sua estreita relação com o casal Detinha e Josimar do Maranhãozinho, tidos e havidos como generosos investidores da campanha do prefeito Viriato. A generosidade parlamentar, contudo, parece encoberta por um denso nevoeiro de incertezas.

Vamos lá: a ambulância, segundo os sempre atentos influenciadores digitais, foi concedida por meio de uma Emenda Parlamentar. Um gesto nobre, digno de nota. Ocorre, entretanto, que a suposta doação não encontra qualquer lastro nos registros oficiais da Câmara Federal e mesmo porque, a peça orçamentária de 2025, como se sabe, ainda não foi votado pelo Congresso e o STF, através do ministro Flávio Dino, tem realizado um verdadeiro ‘pente fino nessa bagunça com o uso do dinheiro público.

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Tudo não passaria, de pequeno detalhe, diriam os mais cínicos ou os conceituados influenciadores.

Mas a trama adensa-se quando se verifica que o veículo que saiu em foto nas mídias sociais, na verdade, já foi emplacado em São Benedito do Rio Preto e, pertence, segundo se nota do ‘site’ do DETRAN/MA, curiosamente, a uma empresa de revenda de automóveis e máquinas, a PRO CAR SERVIÇOS E PEÇAS LTDA.

Atente-se a esse nome porque, a história ganhará contornos ainda mais pitorescos. É que, enquanto a “narrativa oficial” e os eficientes comunicadores de mídia, bradavam sobre a grandeza do presente de Detinha, a Prefeitura de Tutóia publicava em 29 de janeiro de 2025 no Diário Oficial da FAMEM, um ‘contrato reluzente’ pelo módico valor de R$ 355.000,00 (trezentos e cinquenta e cinco mil reais), precisamente, para prover a aquisição de uma AMBULÂNCIA ZERO QUILÔMETRO, custeada pelo Fundo Municipal de Saúde. O detalhe fascinante? O contrato dessa aquisição foi assinado em 16 de janeiro de 2025, mas o veículo foi adquirido, conforme dados do DETRAN/MA, ainda em 29 de novembro de 2024.

E assim ficamos diante de um verdadeiro enigma: teria o prefeito Viriato recebido o veículo como um mimo da Deputada Detinha, através de emenda parlamentar e, num súbito arroubo de generosidade, decidido comprá-lo com dinheiro público? Ou será que os registros oficiais desafiam a lógica e a linearidade do tempo e a ambulância foi adquirida antes mesmo da formalização do contrato?

A julgar pelo rigor ético e administrativo que permeia o inicio da gestão local, é provável que estejamos diante de um fenômeno jamais antes documentado: a ambulância quântica. Ora, se Schrödinger podia ter um gato simultaneamente vivo e morto, por que Tutóia não poderia ter um veículo simultaneamente doado e comprado?

Como se a tempestade não fosse suficiente, as águas revoltas da política local encontram correntezas ainda mais traiçoeiras. Informações nos diversos veículos jornalísticos indicam que recentemente a Procuradoria-Geral da República (PGR) encontrou elementos gravíssimos envolvendo o ilustre Josimar do Maranhãozinho (marido da Deputada Detinha), apontando para o desvio de verbas públicas em emendas parlamentares em volume quase oceânico.

Nesse cenário, a tão exaltada parceria entre o prefeito e o casal Detinha/Josimar parece mais um abraço de afogados do que um pacto de progresso.

Em meio a essas ponderações metafísicas, restam perguntas ingratas: se o veículo não é novo, conforme exigido no edital, qual sua real quilometragem? E, mais intrigante ainda, essa transação não violaria as regras de licitação?

Enquanto isso, a chuva segue caindo sobre Tutóia, e os trovões ressoam como perguntas sem resposta. Que São Benedito – do Rio Preto ou de qualquer outra localidade – nos proteja.

 

 

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