Quase 80% dos deputados estaduais eleitos no Maranhão são parentes de políticos
Dos 42 deputados estaduais eleitos no Maranhão no último domingo (4), pelo menos 33 têm parentes que exercem ou já exerceram cargos eletivos. O dado foi identificado em levantamento do Observador Maranhense e corresponde a 78,6% da próxima composição da Assembleia Legislativa. (Veja o gráfico no fim da matéria)
Os laços familiares atravessam diferentes gerações e cargos: há esposas, filhos, irmãos e sobrinhos de prefeitos e parlamentares em atividade, além de parentes de ex-prefeitos, ex-deputados e ex-governadores.
Só os familiares de prefeitos ou ex-prefeitos somam 28 eleitos. Entre eles, 12 são esposas, companheiros, maridos ou filhos de gestores municipais em exercício. A deputada estadual eleita Maedja Campos (PDT), a mais votada em 2026, integra esse grupo: é esposa do prefeito de Paço do Lumiar, Fred Campos (PSB), e nunca havia disputado nenhum cargo eletivo.
Túlio Rezende (MDB), aos 22 anos, foi eleito para ocupar o lugar da mãe, Andreia Rezende (MDB), que abriu mão da reeleição para apoiar a candidatura do filho. Túlio também é filho do ex-deputado Stênio Rezende e primo da deputada estadual eleita Luanna Rezende (PT).
A mais jovem deputada estadual eleita no Maranhão em 2026, Natália do Júnior Garimpeiro (União Brasil), conquistou uma vaga aos 21 anos, com 32.486 votos. Ela é uma das companheiras do prefeito de Centro Novo do Maranhão, Júnior Garimpeiro, e também nunca havia disputado qualquer cargo eletivo.
‘NÃO HÁ RENOVAÇÃO’
Para o cientista político Hesaú Rômulo, a mudança dos ocupantes das cadeiras não representa uma renovação política da Assembleia. Ao Observador Maranhense, ele afirma que a composição da Casa ainda reflete “um voto muito territorializado dentro dessa articulação entre prefeitos e vereadores”.
“A minha avaliação é de que não há uma renovação. Não há uma renovação, porque os nomes ou os sobrenomes são os mesmos. Então, se a gente pensar: ‘que bom que mais mulheres foram eleitas para a Assembleia’. Mas essas mulheres estão vinculadas a que grupos políticos ou estão vinculadas a que projetos? Essa é a pergunta que deve ser feita pelo eleitor”, afirma Rômulo.
“Então, tem muita mulher de deputado, filha de deputado, irmã de deputado, filha de ex-prefeito, mulher de ex-prefeito. A gente não pode pensar, do ponto de vista da representação política, apenas numa representação descritiva. Da ideia de que um branco vai representar um branco, um preto vai representar um preto, um amarelo vai representar um amarelo, um flamenguista vai representar um flamenguista, uma mulher vai representar uma mulher. Não necessariamente.”
Para Hesaú Rômulo, uma renovação de fato passa por partidos capazes de mobilizar suas bases sociais e construir projetos coletivos em “diálogo com movimentos sociais e a sociedade civil”, abrindo espaço para novas forças políticas na Assembleia.

Observador Maranhense
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