Como os áudios de Flávio Bolsonaro a Vorcaro podem mexer na corrida eleitoral
Qual será o impacto da revelação dos diálogo do senador Flávio Bolsonaro com o banqueiro Daniel Vorcaro nas intenções de voto? O blog foi perguntar para o cientista político e professor do Insper, Carlos Melo, Para tanto, ele acha importante avaliar este cenário de polarização que divide, em linhas gerais, a população entre 40% de antipetistas e 40% de antibolsonaristas. Sobram 20% voláteis, os chamados swing voters, que ora pendem para um lado, ora para o outro. Esses 20% não vão integralmente para o antipetismo nem para o antibolsonarismo. Eles oscilam e, em uma eleição apertada, bastaria pouco mais de “10% + 1 voto” para decidir o resultado.
Ele ressalta ainda que, dentro desse grupo antipetista, os bolsonaristas representariam cerca de 15%. Com o desgaste de Flávio Bolsonaro, ele avalia que eleitores de direita, mas não bolsonaristas, podem optar por um candidato “menos complicado”. Nesse contexto, Ronaldo Caiado teria adotado um discurso mais prudente.
— Quando Caiado diz “não podemos perder o sentido do antipetismo”, não está dizendo “não podemos perder o Flávio”. Está dizendo: “vamos continuar juntos para vencer o PT”. Mas, se o Flávio não é o mais forte, quem seria? Ele próprio está se colocando, é claro.
Para Melo, uma eventual substituição de Flávio, desgastado tanto pelo caso envolvendo Daniel Vorcaro como pelo legado do governo do pai, “por alguém sem o cristal trincado” poderia representar um problema para Lula.
O cientista político destaca ainda que, desde o caso do INSS, o governo vinha sendo alvo constante de críticas, enquanto Flávio “navegava em céu de brigadeiro”, sem ataques mais fortes. Agora, o cenário mudou.
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