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Aliado de Dino assume Tribunal de Contas após ministro afastar sobrinho de governador

person Por Joabe Santos
schedule 17/08/2026 às 16:09
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O ex-deputado estadual e ex-presidente da Assembleia Legislativa do Maranhão, Marcelo Tavares, assumiu nesta segunda-feira a presidência do Tribunal de Contas do estado (TCE-MA) após a decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), que afastou do cargo o conselheiro Daniel Itapary Brandão, sobrinho do governador Carlos Brandão (MDB).

Daniel é citado no inquérito que apura a tentativa de obstrução de justiça no assassinato do empresário maranhense João Bosco Sobrinho, em 2022. O caso é o mesmo que levou à prisão domiciliar o ex-secretário de estado Raimundo Soares Cutrim, apontado como interlocutor da família Brandão. De acordo com a investigação, o sobrinho do governador teria participado da reunião em que ocorreu o desentendimento que culminou na morte de João Bosco.

Como mostrou o GLOBO, na decisão desta segunda-feira, Dino aponta que o TCE-MA não pode ser presidido por uma pessoa que “figura no epicentro de investigações sobre homicídio, mau uso de recursos públicos, cobrança de propinas e pagamentos fraudulentos”.

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Tavares ingressou no tribunal em setembro de 2021, nomeado no segundo mandato de Dino. Antes, foi chefe da Casa Civil do Maranhão na gestão do ministro em duas ocasiões: entre 2014 e 2018, quando deixou o cargo para disputar a reeleição, e a partir de 2019, permanecendo no posto até tomar posse como conselheiro. Ele também já ocupou a presidência do TCE nos anos de 2023 e 2024.

Observadores da política local apontam que Tavares era o principal articulador do governo de Dino com a Assembleia Legislativa. Ele é sobrinho do ex-governador Zé Reinaldo Tavares, um dos grandes apoiadores do ministro em sua primeira eleição ao governo, em 2014.

De acordo com a decisão desta segunda-feira, há indícios de que foi Daniel quem marcou a reunião com João Bosco para a discussão “de pagamentos ilícitos com verbas públicas”. Ele ficará afastado por 180 dias.

Dino também determinou o aprofundamento da apuração sobre o envolvimento de Daniel no homicídio e, ainda, de sua possível ligação ao uso de emendas parlamentares federais para o pagamento de propinas no Maranhão.

A morte de João Bosco levou à prisão e à condenação de Gilbson César Soares Cutrim Júnior. Nesse sentido, o Supremo também investiga se empresas ligadas a Daniel e à família Brandão foram utilizadas para realizar pagamentos a fim de “comprar o silêncio” de Gilbson.

Gilbson Cutrim é parente de Raimundo Cutrim. No ano passado, ele e sua família passaram a alegar que houve coação por parte de pessoas ligadas ao grupo político do atual governador Carlos Brandão, sendo o próprio Raimundo o responsável por pressioná-los para que mudassem depoimentos prestados à polícia com o objetivo de proteger integrantes da família do governador.

De acordo com a Polícia Federal, antes de ser preso, Gilbson teria entrado em contato com Daniel e Marcus Brandão, ocasião em que “ambos teriam prometido vantagens substanciais (como cargo público, imóvel e apoio financeiro) em troca do silêncio absoluto acerca do contexto real do crime e a participação de agentes públicos.

Com o afastamento, Daniel está proibido de acessar os sistemas do Tribunal de Contas, de frequentar ambientes em razão do cargo e também de “manter contato direto ou indireto” com Carlos Brandão, Raimundo Cutrim e com todos os outros envolvidos ou mencionados na investigação do assassinato do empresário.

Raimundo Cutrim também é alvo de outro inquérito no Supremo. Na semana passada, a Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao ex-secretário após ele ser apontado como a fonte de um jornalista do Maranhão que fez uma reportagem sobre o uso de veículo oficial por parte do ministro do STF.

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