Caso Benício: médica vendia maquiagem enquanto menino passava mal
A investigação sobre a morte de Benício Xavier de Freitas, de 6 anos, revelou que, enquanto o menino agonizava após receber dose incorreta de adrenalina na veia, a médica responsável pelo atendimento vendia maquiagem pelo celular.
De acordo com o inquérito policial, apresentado pelo Fantástico no domingo (3/5), enquanto Benício estava na sala vermelha, a médica acompanhava a evolução do quadro e, ao mesmo tempo, mantinha conversas com clientes no WhatsApp, acertando valores, descontos e formas de pagamento na venda de produtos de beleza.
“É como se ela não estivesse ali com um paciente lutando pela vida”, afirmou o delegado Marcelo Martins.
Conforme a polícia, a médica ficou boa parte do tempo mexendo no celular, enquanto o menino era atendido.
“Enquanto meu filho precisava de ajuda, ela estava ao celular, vendendo cosméticos, ignorando tudo o que estava acontecendo”, relatou Joyce Xavier, mãe de Benício.
A médica, identificada como Juliana Brasil, foi indiciada por homicídio doloso com dolo eventual, ou seja, quando a pessoa assume o risco de causar a morte. A profissional também poderá responder por fraude processual e falsidade ideológica.
O caso
Benício foi levado ao hospital com sintomas de tosse seca e suspeita de laringite. A médica da unidade teria recomendado lavagem nasal, soro e três doses do medicamento adrenalina, de 3 miligramas cada, a serem aplicadas de maneira endovenosa (na veia), de 30 em 30 minutos.
As recomendações foram seguidas pela equipe de enfermagem.
A prescrição foi feita sem conferência e chegou à técnica de enfermagem, que aplicou o medicamento mesmo após a mãe da criança questionar, dizendo que o filho nunca havia recebido adrenalina na veia.
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