Prefeitura de Humberto de Campos toma terra de associação para extração de barro e servidores ameaçam líderes
Humberto de Campos (MA) – A Prefeitura Municipal de Humberto de Campos, sob gestão do prefeito Luís Fernando Silva dos Santos, publicou no Diário Oficial de segunda-feira (08/06/2026) o Decreto Municipal nº 09, que declara de utilidade pública a Gleba “Periá” (matrícula nº 1.062) para extração de piçarra, areia e barro. A área pertence a uma associação local e seria uma reserva ou área de uso coletivo.
Segundo o decreto, a medida é temporária e visa fornecer material para a pavimentação asfáltica da Estrada do Periá, obra que beneficiaria a população local. A extração não terá qualquer ônus financeiro para a Prefeitura, ou seja, o material será retirado de graça.
Ameaças a líderes da associação
Moradores e membros da associação denunciam que servidores da prefeitura teriam invadido a área e feito ameaças aos representantes da entidade. Áudios e um vídeo gravado no local (barreiro) circulam em grupos de WhatsApp e mostram tensão no local.
Em um dos áudios, um morador relata:
“Sem nenhum consentimento aí eles fizeram colocar no Diário Oficial essa desapropriação… isso aí não tem nada a ver juridicamente, isso aí não vale nada.”
Outro áudio menciona que a prefeitura vem desapropriando terrenos mesmo de pessoas com documentação. Há ainda relatos de que o presidente da associação, foi citado como se estivesse no local ameaçando expulsar trabalhadores, mesmo ele afirmando que não esteve presente e que estava no hospital.
No vídeo, um homem identificado como Pedro Nélio aparece visivelmente alterado, relatando que foi ameaçado de expulsão e que membros da associação (incluindo supostamente o líder) tentaram “botar ele para correr”. Pedro Nélio já foi alvo de denúncias anteriores de perseguição a ativistas políticos locais.
Questionamentos sobre legalidade e abuso de poder
Membros da associação e moradores questionam:
- A falta de consentimento da associação;
- O caráter de “reserva protegida” ou área coletiva da gleba;
- A ausência de indenização ou contrapartida;
- A suposta omissão do Ministério Público e da Polícia Civil nos momentos de conflito;
- Possível uso político da obra e do material extraído.
A prefeitura justifica a ação com base no “interesse público” e em uma suposta autorização do posseiro, mas não se manifestou oficialmente sobre as denúncias de ameaças e intimidações.
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