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Brasil bate R$ 2 trilhões em impostos no primeiro semestre pela primeira vez

person Por Joabe Santos
schedule 26/06/2026 às 08:43
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O Brasil deverá alcançar neste sábado (27) a marca de R$ 2 trilhões em tributos arrecadados desde o início de 2026. O dado é do Impostômetro, painel da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) que acompanha em tempo real a arrecadação de impostos, taxas e contribuições em todo o país.

A previsão é que o indicador atinja o patamar às 9h09, estabelecendo um novo recorde de velocidade na arrecadação tributária brasileira.

O avanço chama atenção porque o valor será atingido ainda durante o primeiro semestre, algo inédito desde a criação do painel.

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Para efeito de comparação, em 2025 a marca de R$ 2 trilhões foi alcançada apenas em 3 de julho. Já em 2024, o mesmo nível só havia sido registrado em 24 de julho.

Além disso, quando analisada uma série mais longa, a aceleração se torna ainda mais evidente. Em 2015, por exemplo, o país só atingiu esse volume de arrecadação em 9 de dezembro.Segundo a ACSP, o resultado é consequência de uma combinação de fatores econômicos e tributários.

Entre eles estão o crescimento da atividade econômica, a inflação, que eleva os preços de bens e serviços, e também mudanças recentes na legislação tributária.

Nesse contexto, contribuíram para o aumento da arrecadação medidas como a tributação de fundos exclusivos e offshores, alterações nas regras de subvenções estaduais, retomada da cobrança de tributos sobre combustíveis, reoneração da folha de pagamentos, aumento do IOF, mudanças na tributação dos juros sobre capital próprio, revisão de incentivos ao setor de eventos e a cobrança sobre apostas esportivas.

De acordo com Ulisses Ruiz de Gamboa, economista do Instituto de Economia Gastão Vidigal, da ACSP, o aumento da arrecadação acompanha tanto o aquecimento da economia quanto a alta dos preços.“O aquecimento da atividade econômica amplia a base de arrecadação. Ao mesmo tempo, a inflação pressiona os preços de bens e serviços e, como grande parte dos impostos incide sobre os preços, a arrecadação acompanha esse movimento”, afirmou.

Apesar do avanço da arrecadação, especialistas alertam que o desafio fiscal do país continua concentrado no lado das despesas.

Dados da plataforma Gasto Brasil mostram que os gastos públicos não financeiros já se aproximam de R$ 2,7 trilhões em 2026, valor superior ao total arrecadado até o momento.

Dessa forma, o aumento das receitas não tem sido suficiente para eliminar as pressões sobre as contas públicas.

Para o presidente da Associação Comercial de São Paulo, Alfredo Cotait Neto, o principal problema fiscal do país está justamente na velocidade de crescimento dos gastos.

Segundo ele, embora a arrecadação continue avançando, as despesas públicas aumentam em ritmo ainda mais acelerado.

“A arrecadação cresce, mas o gasto público cresce em ritmo ainda maior. Esse descompasso é o nó central das dificuldades fiscais do país”, afirmou.

Assim, o novo recorde do Impostômetro reforça a capacidade de arrecadação do governo, mas também evidencia os desafios para equilibrar as contas públicas em meio ao crescimento contínuo das despesas.

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