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‘Trump não tem o direito de acordar e achar que pode ameaçar um país’, diz Lula

person Por Da Redação
schedule 16/04/2026 às 15:23
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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, “não tem o direito de acordar de manhã e achar que pode ameaçar um país”, disse Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em entrevista ao jornal espanhol El País, publicada nesta quinta-feira. A declaração foi feita às vésperas de uma viagem do petista a Barcelona, onde se reunirá na sexta-feira com o primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, antes de participar de um fórum internacional de lideranças da esquerda, o Fórum Democracia Sempre.

 No Brasil acreditávamos no desarmamento e promulgamos em 1988 uma Constituição que proíbe fabricar armas nucleares. O que aconteceu? Os EUA não se desarmaram, a Rússia também não, [nem] China, Índia, Paquistão e Coreia do Norte. Estamos quase desprotegidos. Mas não quero investir em armas, quero investir em livros, alimentação, emprego — disse. — Já liguei para o presidente Xi Jinping, para o primeiro-ministro indiano, para Putin, para Macron, para todos, pedindo que nos reunamos. Porque Trump não tem o direito de acordar de manhã e ameaçar um país. Não foi eleito para isso e sua Constituição não permite.

Ao ser questionado sobre como definiria o líder americano, Lula afirmou que Trump está “jogando um jogo muito equivocado”, partindo da premissa de que “a força econômica, militar e tecnológica americana determina as regras do jogo”. Na avaliação do petista, ao agir assim, o republicano acaba criando problemas para os Estados Unidos, sem considerar que, ao atacar o Irã, por exemplo, “quem pagaria” a conta seria a própria população.

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— Quando se é chefe de Estado, deve-se respeitar a soberania dos outros países — disse ele, citando ainda as tarifas americanas: — Me chamou a atenção que os argumentos de Trump para impor tarifas ao Brasil não eram verdadeiros. Decidi ter muita paciência e disse a ele: “Dois países governados por dois senhores de 80 anos deveriam conversar com maturidade”. [Também] disse a Trump que era importante definir que tipo de líder se quer ser. Prefiro ser um líder respeitado, não temido. Ninguém tem o direito de causar medo.

Intervenção na América Latina

 

Diante da invasão americana na Venezuela, Lula foi perguntado sobre o possível cenário de mais intervenções na América Latina — e se temia essa possibilidade. O presidente, no entanto, disse que se sente seguro, citando que, pela primeira vez na história, o Brasil tem “um ex-presidente preso e quatro generais de quatro estrelas encarcerados”, indicando que, “aqui a democracia funciona [e é] um exemplo para os Estados Unidos”. Lula disse, ainda, que sua guerra “é a do argumento” e que deseja travá-la numa mesa de negociação.

— Pelo amor de Deus, uma terceira guerra mundial seria uma tragédia dez vezes mais potente que a segunda — declarou, mencionando também a ideia de novas eleições no território venezuelano: — Isso é um problema da Venezuela, e não do Brasil. Mas, se eu fosse venezuelano e vice-presidente, e se tivesse ocorrido o que ocorreu, tomaria posse e convocaria eleições gerais. Teria que haver um processo eleitoral pactuado com a oposição para que o resultado fosse acatado e a Venezuela voltasse a ter paz. O que não pode ser é que os EUA acreditem que podem administrar a Venezuela. Isso não é normal.

Citando o regime das Nações Unidas, Lula disse sentir-se incomodado com a ideia de que o Conselho de Segurança, “criado para manter a paz, faça guerra”. Para ele, “é como se o mundo fosse um navio à deriva, sem nenhuma instituição que oriente o comportamento civilizatório das nações”. O presidente ressaltou que a situação é especialmente delicada porque nunca, desde a Segunda Guerra, houve tantos conflitos simultâneos. O dinheiro gasto com as guerras, disse, seria capaz de acabar com a fome de 630 milhões de pessoas.

— Chegou o momento de redefinir as Nações Unidas para dar credibilidade, porque, caso contrário, Trump tem razão. As instituições internacionais não cumprem o papel para o qual foram criadas. E por quê? Porque os cinco países do Conselho de Segurança que deveriam ter um comportamento exemplar não o tem. Os senhores da paz se transformaram em senhores da guerra — afirmou. — Na África há países com mais de 120 milhões de habitantes e nenhum está no Conselho. Tampouco Brasil, Alemanha, Índia. É preciso acabar com o direito de veto. A geopolítica de 1945 não serve para 2026.

‘O bolsonarismo não voltará a governar’

 

Quando perguntado sobre as pesquisas que apontam para um empate com Flávio Bolsonaro nas eleições presidenciais deste ano — com o senador aparecendo pela primeira vez frente do petista no cenário simulado de segundo turno —, Lula manteve o tom firme: disse ter a convicção de que “o bolsonarismo não voltará a governar” no Brasil porque “o povo prefere a democracia”. E acrescentou que, para ele, o fato de a sociedade brasileira estar dividida não é novidade:

— Nunca ganhei uma eleição no primeiro turno. E o mundo se polarizou ainda mais; a extrema direita ganha força com um discurso mentiroso e negacionista, utilizando as redes digitais como nunca antes, e agora com ajuda da inteligência artificial.

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