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Israel libertará o ativista brasileiro Thiago Ávila neste sábado, diz ONG

person Por Joabe Santos
schedule 09/05/2026 às 10:08
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Israel vai libertar neste sábado dois ativistas, o brasileiro Thiago Ávila e o hispano-palestino Saif Abu Keshek, integrantes da Global Sumud, a mais recente flotilha de auxílio à Faixa de Gaza. As cerca de 50 embarcações partiram inicialmente de Espanha, França e Itália, com o objetivo declarado de entregar ajuda humanitária ao enclave, onde, apesar do frágil cessar-fogo entre Israel e o Hamas desde outubro, a entrada de ajuda humanitária segue restrita. Os dois serão direcionados às autoridades israelenses de imigração para em seguida serem deportados, informou a ONG palestina Adalah [que significa justiça, em árabe], que os representa.

Após a detenção da embarcações no , na costa da ilha de Creta, na Grécia, Ávila e Keshek foram levados a Israel para serem interrogados, enquanto os demais foram liberados em solo grego. Os governos do Brasil e da Espanha denunciaram energicamente as respectivas detenções, denunciaram a ilegalidade da abordagem em águas internacionais, e a ONU pediu a libertação imediata dos dois.

“A agência israelense de segurança interna, Shabak, informou à equipe jurídica da Adalah que os ativistas e líderes da flotilha Global Sumud (GSF), Thiago Ávila e Saif Abu Keshek, serão libertados hoje (neste sábado)”, indicou a ONG, em comunicado.

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Segundo a Adalah, eles ficaram em “isolamento total, submetidos a uma iluminação de alta intensidade 24 horas por dia, sete dias por semana, em suas celas, e permaneceram com os olhos vendados durante transferências, inclusive em exames médicos”. “Detidos ilegalmente por Israel há mais de uma semana”, eles foram “mantidos durante todo tempo em isolamento total, em condições punitivas, apesar do caráter puramente civil de sua missão” na flotilha, lamentou a Adalah.

A ONG acrescentou que os dois realizaram uma greve de fome, que o espanhol-palestino Abu Keshek “intensificou, ao se recusar a também beber água na noite de 5 de maio”. As autoridades israelenses negam as acusações de maus tratos.

A Adalah informou que continuará acompanhando de perto o caso para garantir “que as libertações de fato ocorram”.Na última terça-feira, um Tribunal israelense decidiu manter os dois ativistas presos pelo menos até o próximo domingo para permitir que a polícia tivesse mais tempo para interrogá-los, segundo informaram seus advogados. Mas a libertação foi antecipada para este sábado.

O tribunal de Beerseba rejeitou nosso recurso e aceitou todos os argumentos do Estado de Israel — declarou à AFP a advogada Hadeel Abu Salih, na ocasião, que relatou que os ativistas chegaram na audiência com os pés algemados.

No mesmo dia da decisão do Tribunal, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou a prisão de Ávila como uma “ação injustificável do governo de Israel”Manter a prisão do cidadão brasileiro Thiago Ávila, integrante da flotilha ‘Global Sumud’, é uma ação injustificável do governo de Israel, causa grande preocupação e deve ser condenada por todos”, escreveu Lula nas redes sociais, acrescentando que a detenção de ativistas da flotilha em águas internacionais já havia representado uma séria afronta ao direito internacional. “Por isso, nosso governo, juntamente com o da Espanha, que também teve um cidadão detido, exige que eles recebam plena garantia de segurança e sejam imediatamente soltos”.”.Já o governo espanhol classificou a medida como “ilegal” e “inaceitável” e afirmou, por meio do Ministério das Relações Exteriores, que Israel não apresentou “nenhuma prova” das supostas ligações com o Hamas.

EUA aponta apoio de organização ao Hamas

 

O Ministério das Relações Exteriores de Israel, por sua vez, sustenta que os ativistas têm vínculos com a Conferência Popular para os Palestinos no Exterior (PCPA), entidade sancionada pelo Departamento do Tesouro dos Estados Unidos. Segundo Washington, a organização atuaria de forma clandestina em apoio ao Hamas. Os ativistas negam ter qualquer relação com o grupo terrorista.

Thiago Ávila e Saif Abu Keshek foram detidos na semana passada após serem interceptados em alto-mar, nas proximidades da Grécia. A flotilha faz parte de uma mobilização internacional, inicialmente composta por cerca de 50 embarcações, com o objetivo de levar ajuda e chamar atenção para a crise humanitária no território palestino, devastado pela guerra e com acesso ainda severamente limitado a suprimentos básicos. Israel, porém, controla todos os pontos de entrada em Gaza, que está sob bloqueio israelense desde 2007.

No ano passado, o brasileiro chegou a ficar detido por três dias em um centro de detenção de Israel por se recusar a assinar os documentos de deportação necessários para deixar a região. À época, Ávila viajava no barco “Madleen” com diversos ativistas de França, Alemanha, Turquia, Suécia, Espanha e Países Baixos.

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