Número de mortos após enchentes e deslizamentos entre Nepal e Tibete passa de 580, e há mais de 1.900 desaparecidos só no Nepal
O número de mortos nas enchentes que atingiram o Nepal na quarta-feira chegou a 579, segundo atualização da polícia nepalesa. No Tibete, território controlado pela China, foram registradas cinco mortes. Corpos foram recuperados nos distritos nepaleses de Rasuwa e Nuwakot, que estão entre as áreas mais afetadas, enquanto a maior parte das vítimas foi localizada no distrito de Chitwan, por onde passa o rio Trishuli antes de desaguar no rio Seti Gandaki.
Em sua atualização mais recente, a Autoridade Nacional de Redução e Gestão de Riscos de Desastres do Nepal informa que o número de pessoas desaparecidas no país subiu para 1.924, com 15.000 agentes de segurança mobilizados em operações de busca e resgate. Esse número inclui 517 cidadãos estrangeiros, segundo o comunicado. Cerca de duas horas antes, a polícia nepalesa indicava o desaparecimento de 575 estrangeiros. Já as autoridades chinesas apontam 558 desaparecidos no Tibete, incluindo 260 estrangeiros.
O Conselho de Turismo do Nepal informa que 121 cidadãos estrangeiros foram resgatados desde quarta-feira e que “todos os esforços necessários” estão sendo realizados para “resgatar e retirar pessoas feridas, ilhadas e afetadas”.
Um vídeo de vigilância gravado no lado chinês mostra o momento em que uma parede de lama e detritos avança sobre um edifício de vários andares e o engole, enquanto dezenas de pessoas correm para fugir no posto de passagem de fronteira de Gyirong. A enxurrada também arrastou ônibus e carros.
A força da torrente foi tamanha que o episódio chegou a ser registrado como um “evento sísmico” de magnitude 5,2, segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS). O fenômeno teria sido provocado pelo desmoronamento de um bloco de gelo.
Raju Bhadel, morador nepalês de 56 anos, contou que recebeu uma ligação de seu cunhado durante as buscas.

— Eles estavam chorando e disseram que toda a casa havia sido destruída. Três membros da família foram resgatados, mas seu irmão continua desaparecido — contou Bhadel.
Os socorristas avançavam com dificuldade pela lama e pelos destroços nas áreas atingidas, onde os deslizamentos soterraram os andares inferiores de edifícios de vários pavimentos.
Subash Khatani também saiu à procura de um familiar desaparecido.
— Ele está entre os desaparecidos de Rasuwa, por isso saímos para procurá-lo — afirmou.
David Fisher, diretor no Nepal da Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho, alertou para a dimensão da destruição.
— Povoados inteiros e áreas de comércio foram destruídos — afirmou Fisher.
Os Estados Unidos prometeram US$ 500 mil em ajuda. O Exército nepalês realiza sobrevoos na região e resgatou dezenas de pessoas. Moradores de áreas próximas ao rio, consideradas de risco, receberam ordens para deixar suas casas.
Especialistas alertam que o desastre pode não ter terminado. Um bloqueio no curso de um rio entre Nepal e China formou um lago represado, pode provocar uma nova inundação.
— Como ainda há um bloqueio na parte alta do rio que faz fronteira entre Nepal e China, as autoridades alertam que uma segunda inundação pode ocorrer — explicou Qianggong Zhang, chefe de riscos climáticos e ambientais do Centro Internacional para o Desenvolvimento Integrado das Montanhas (ICIMOD).
O presidente chinês, Xi Jinping, determinou a mobilização de equipes e recursos para as buscas em Gyirong, uma área de comércio internacional na fronteira com o Nepal. Imagens de drones exibidas pela televisão estatal chinesa mostram edifícios soterrados por lama.
A tarefa mais urgente é fazer todo o possível para procurar e resgatar as pessoas desaparecidas — afirmou Xi, segundo a emissora chinesa.
O dalai-lama também se manifestou nesta quinta-feira e disse que reza pelas vítimas, além de pedir “medidas de ajuda adequadas”.

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