Gonet ‘fechou as portas’ para nova delação premiada de Vorcaro
Brasília — O procurador-geral da República, Paulo Gonet, rejeitou de forma definitiva uma nova tentativa da defesa do ex-banqueiro Daniel Vorcaro para retomar as negociações de um acordo de colaboração premiada. Relatos de bastidores indicam que Gonet “fechou as portas” para qualquer tipo de tratativa com o investigado.
A tentativa de aproximação ocorreu na semana passada, no Salão Branco do Supremo Tribunal Federal (STF), onde o advogado de Vorcaro, Sérgio Leonardo, conversou reservadamente com o PGR. Na ocasião, a defesa sinalizou que o cliente pretendia apresentar uma nova proposta com informações inéditas de interesse das autoridades. No entanto, o aceno foi recusado de imediato por Gonet.
Desconfiança e Provas Robustas
A Polícia Federal (PF) e a Procuradoria-Geral da República (PGR) encaram as investidas da defesa com forte ceticismo. A avaliação interna é de que o ex-banqueiro tenta um “truque” jurídico para deixar a prisão, sem demonstrar uma disposição real de confessar os crimes de forma efetiva.
Além disso, investigadores apontam que um acordo de colaboração tornou-se desnecessário devido ao volume e à qualidade das provas já obtidas.
Para Paulo Gonet, o conteúdo extraído dos documentos e dos celulares apreendidos de Vorcaro já tem o mesmo valor e peso de uma delação premiada.
Transferência e Isolamento na “Papudinha”
Por determinação do ministro André Mendonça, relator do caso envolvendo o Banco Master no STF, Daniel Vorcaro foi transferido para o 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, complexo prisional conhecido como Papudinha. Anteriormente, ele estava detido na Superintendência da Polícia Federal em Brasília.
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Isolamento Sanitário: Vorcaro deverá permanecer na mesma cela que o ex-presidente Jair Bolsonaro por um período mínimo de dez dias. A medida atende a uma recomendação da Vara de Execuções Penais para evitar a propagação de doenças decorrentes da transferência.
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Incomunicabilidade: No mesmo batalhão encontra-se preso o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa — também apontado como um potencial colaborador. Para evitar o alinhamento de versões, o ministro André Mendonça ordenou que a unidade adote medidas rigorosas para garantir a incomunicabilidade entre os investigados da Operação Compliance Zero.
O ministro ressaltou em seu despacho que a restrição de contato deve ser implementada de forma proporcional e compatível com a rotina de segurança do batalhão, preservando integralmente os direitos mínimos assegurados aos custodiados.
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